"São idiotas úteis", diz Bolsonaro sobre manifestantes em 154 cidades do Brasil 

Em visita a Dallas, no Texas, Estados Unidos, Bolsonaro diz que os manifestantes não sabem "nada".

154 cidades das 27 unidades federativas do Brasil registam manifestações e paralisações de alunos. Professores, e não só, estão em protesto contra o corte de verbas para a educação, levado a cabo pelo governo Bolsonaro.

É, aliás, o primeiro grande protesto nacional contra o novo governo, que tomou posse há cinco meses e meio.

A Avenida Paulista, principal artéria de São Paulo, está bloqueada nos dois sentidos há mais de duas horas. Os últimos dados apontam para mais de 100 mil pessoas na região ao longo do dia.

No Rio de Janeiro, além da manifestação na Candelária, no centro da cidade com em torno de 80 mil pessoas, houve paralisações de universidades.

Na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, os manifestantes reuniram-se em frente à Biblioteca Nacional e seguiram pela via em direção à Praça dos Três Poderes, onde se situa o Palácio do Planalto. Ao fim da manhã, a polícia estimava cerca de 15 mil manifestantes. Os organizadores falavam em 50 mil pessoas. Nas outras mais de 150 cidades os números também variam.

Bolsonaro não está no país, recebe um prémio nos Estados Unidos, na cidade de Dallas, depois do mayor de Nova Iorque e outras instituições terem considerado o presidente brasileiro persona non grata na maior cidade americana.

Do Texas, chamou os manifestantes de "idiotas úteis". Disse ele que "a maioria ali é militante. Não tem nada na cabeça. Se perguntar 7 x 8 não sabem. Se perguntar a fórmula da água, não sabem. Não sabe nada. São uns idiotas úteis, uns imbecis que estão sendo utilizados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo de muitas universidades federais do Brasil", afirmou Bolsonaro.

O ministério da Educação, cujo ministro ouviu há instantes gritos de "demissão" dos deputados enquanto se explicava no Congresso Nacional, bloqueou 25% dos gastos não obrigatórios dos orçamentos das instituições federais, despesas que incluem contas de água, luz e compra de material básico, além da verba para pesquisas.

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