Seis meses de revolta amarela. O que nos mostrou o movimento dos coletes?

Há seis meses, mais de 280 mil pessoas mobilizavam-se para bloquear estradas em França, num protesto contra a subida do preço dos combustíveis. Desde então houve 26 sábados de tumultos.

A 17 de novembro de 2018 rebentavam as primeiras manifestações dos coletes amarelos. Desde então, foram seis meses de protestos que resultaram em 13 mortos, centenas de feridos, milhares de detenções, mas o movimento nunca parou. Nas ruas sāo muito menos e perderam algum mediatismo. Ainda assim, o movimento social resiste e segue, agora, para o sétimo mês de existência.

Seis meses depois, o chefe de Estado francês parece ter ultrapassado alguns dos obstáculos que o movimento criou, mas segundo alguns analistas, a situação continua "crítica". "Emmanuel Macron não triunfou nesta crise, mas está a sair dela", resumiu Jérôme Fourquet, do centro de estatísticas Ifop.

Poucas pessoas imaginaram que este movimento tivesse tanto tempo de vida quando, a 17 de novembro, fizeram os primeiros apelos nas redes sociais. Mulheres e homens que escolheram vestir coletes refletores, tornando-se visíveis às autoridades francesas, apelavam então ao corte de estradas.

"Houve um efeito surpresa muito grande porque ninguém estava à espera deste levantamento", explica o sociólogo português Fernando Medeiros. Passado o primeiro mês, o movimento foi "rapidamente acompanhando por estudos, inquéritos, sondagens lançados, designadamente pelos órgãos de comunicação social" para tentar perceber o que realmente estava a acontecer.

"As televisões tiveram um papel extremamente importante, sobretudo os canais que se dedicam à informação em contínuo, porque saltaram imediatamente para cima do acontecimento. Esse foi um facto que nāo se limitou a registar e a repercutir, mas que interferiu no desenrolar dos acontecimentos", aponta o docente da Universidade de Paris 10 de Nanterre.

"Essa cobertura mediática fez eco e abriu muito mais o campo das redes sociais, até então o meio privilegiado para a preparação e lançamento inicial do movimento".

Uma mediação particularmente importante para substituir as formas tradicionais com que os movimentos sociais comunicavam e que foram, por isso, segundo Fernando Medeiros "o elemento chave deste acontecimento".

"Deixa-se em aberto toda uma série de eventualidades, entre as quais o surgimento de outros pontos de rutura por motivos, senão idênticos, muito parecidos. Estamos numa situação de rutura, qualquer situação que nos coloque perante decisões a tomar imperativamente levará a custos sociais importantes, e terá repercussões politicas evidentes". Para o sociólogo, resta saber "como, de que forma, e de que forma é impossível" levantarem-se novos movimentos sociais.

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