Seis mil soldados na fronteira sul do México para evitar guerra comercial com os EUA

A militarização da fronteira sul foi uma resposta do governo de López Obrador à pressão de Donald Trump.

Seis mil efetivos da guarda nacional mexicana chegam a partir desta terça-feira à fronteira sul do país. O Exército e as polícias municipais e federais juntam-se neste compromisso do governo do México de deter o fenómeno migratório dos últimos meses.

A militarização da fronteira sul foi uma resposta do governo de López Obrador à pressão de Donald Trump. Há duas semanas, o presidente dos Estados Unidos ameaçou aumentar as tarifas de importação de produtos mexicanos, caso este país não fosse capaz de deter as vagas migratórias.

A velha política mexicana de dar vistos humanitários aos migrantes já são águas passadas. Ana Esther Ceceña diz que a militarização da fronteira é preocupante. Em conversa com a TSF, a diretora do Centro de Estudos Geopolíticos da Universidade Nacional Autónoma do México alerta que está em curso a criminalização dos migrantes: "Há realmente uma mudança de rumo. O que se oferece agora são condições carcerárias. Vai haver uma sanção muito forte para todos os que não tiverem os papéis em ordem. Simplesmente serão tratados como delinquentes".

O México tem um mês e meio para mostrar resultados a Donald Trump. Se não cumprir, corre o risco de se transformar numa sala de espera dos Estados Unidos, o chamado "terceiro país seguro". O analista político Lorenzo Meyer diz à TSF que o governo de López Obrador está entre a espada e a parede: "Se Trump quiser que o México fique com os centro-americanos enquanto pedem asilo aos Estados Unidos, isso diminui a soberania mexicana. Mas se o México recusar, então vêm os impostos sobre as nossas exportações".

Lorenzo Meyer recorda que 80% das exportações mexicanas têm como destino os Estados Unidos. O aumento progressivo das tarifas de importação causaria um buraco considerável na economia mexicana.

A militarização da fronteira sul com seis mil soldados é apenas um dos compromissos que o México assumiu com o governo norte-americano. Na próxima quinta-feira, também vai arrancar o Plano de Desenvolvimento da América Central, que o presidente López Obrador apresentou há algumas semanas.

Entre janeiro e maio deste ano, as autoridades mexicanas detiveram mais de 140 mil migrantes. Um número que Donald Trump considera insuficiente. No aquecimento para as presidenciais de 2020, o mandatário norte-americano volta a lançar a carta da migração e a apontar as baterias para o México.

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