Um destes dez candidatos vai ser o próximo primeiro-ministro britânico

O Partido Conservador começa esta quinta-feira uma série de votações para escolher um novo líder, que vai assumir também o posto de primeiro-ministro britânico no final de julho, sucedendo a Theresa May na condução do processo do 'Brexit'.

O Reino Unido vai ter um novo primeiro-ministro dentro de seis semanas, cuja escolha está reservada aos membros do Partido Conservador, os quais começam hoje uma série de votações para encontrar um sucessor de Theresa May na liderança.

Após o encerramento das nomeações, na segunda-feira, 10 deputados foram oficialmente declarados candidatos:

Boris Johnson, 54 anos

O antigo Mayor de Londres e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros é um dos políticos mais carismáticos no Reino Unido, conhecido pelas piadas e frases em latim ou com referências à Grécia antiga, mas também pelos deslizes.

Fez campanha para sair da União Europeia (UE) no referendo de 2016. Quer concretizar o 'Brexit' dentro do prazo de 31 de outubro e ameaçou reter o pagamento da compensação financeira à UE se Bruxelas não aceitar negociar um novo acordo.

Não exclui sair sem acordo.

Prometeu reduzir os impostos aos contribuintes com rendimentos médios altos.

Jeremy Hunt, 52 anos

Ministro dos Negócios Estrangeiros, foi responsável anteriormente pelas pastas da Cultura e Saúde, o que contribuiu para a reputação de competente.

Fez campanha pera "permanência" na UE, mas defende a aplicação do 'Brexit' através da negociação de um acordo sem a solução para a Irlanda do Norte, invocando a sua experiência de negociador e conhecimentos ao nível dos líderes europeus.

Alertou para o risco de uma saída sem acordo desencadear eleições legislativas que poderiam arrasar o partido. Tem o apoio da ministra da Defesa e eurocética, Penny Mordaunt, e da ministra do Trabalho e pró-europeia, Amber Rudd, posicionando-se como alguém que pode unir o partido.

Michael Gove, 51 anos

O ministro do Ambiente foi outro dos líderes da campanha pelo 'Brexit', mas ficou mais conhecido por ter retirado inesperadamente o apoio e concorrido contra Boris Johnson nas eleições internas de 2016.

Reconhecido orador, tornou-se num proeminente defensor dentro do governo do acordo de saída da UE negociado pelo governo com Bruxelas.

Admite um novo adiamento para negociar melhores condições.

A atual candidatura foi ensombrada pela revelação de que consumiu cocaína quando era jovem, mas relançou a campanha com um programa abrangente, com políticas para dinamizar a economia, reforçar a justiça e desenvolver as áreas rurais.

Dominic Raab, 45 anos

O antigo ministro para o 'Brexit' é um eurocético de longa data, que esteve em funções apenas quatro meses, demitindo-se por discordar com o acordo de saída da UE negociado pela primeira-ministra, Theresa May.

Considera que o Reino Unido foi "humilhado" durante as negociações. Auto intitulando-se "o 'brexiter' convicto com um plano", admite sair da UE a 31 de outubro sem um acordo se não conseguir alterações à solução para a Irlanda do Norte, considerando suspender o Parlamento para forçar o 'Brexit'.

Sajid Javid, 48 anos

O perfil de filho de imigrantes paquistaneses diferencia o ministro do Interior dos outros candidatos conservadores em termos de ascensão social.

Embora fosse eurocético, fez campanha pela permanência na UE em 2016, indicando o 'Brexit' como a "prioridade absoluta".

Tem o apoio importante da popular líder dos conservadores na Escócia, Ruth Davidson, propondo modernizar e unir o partido.

Matt Hancock, 40 anos

O ministro de Saúde apresenta-se como um renovador e representante de uma "nova geração" no partido, propondo um liberalismo social e económico que conquiste os eleitores moderados.

O lema "Vamos seguir em frente" [Let's Move Forward] resume o princípio de que os conservadores devem olhar para além do 'Brexit'.

Reconhece a necessidade de conduzir o país para fora da UE, mas rejeita uma saída sem acordo devido aos potenciais riscos. Está convencido de que consegue convencer os líderes europeus a incluir um prazo na solução para a Irlanda do Norte.

Andrea Leadsom, 56 anos

A antiga ministra dos Assuntos Parlamentares fez campanha em 2016 para sair da UE, e demitiu-se no mês passado por discordar com os planos de uma quarta tentativa para tentar aprovar o acordo de saída, contribuindo para a queda da primeira-ministra.

Concorreu contra Theresa May para suceder a David Cameron, mas desistiu na fase final.

Defende uma "saída controlada" da UE sem acordo a 31 de outubro através de uma série de pequenos acordos bilaterais para garantir a continuidade das relações comerciais ou transportes.

Rory Stewart, 46 anos

O ministro para o Desenvolvimento Internacional surpreendeu quando se lançou numa viagem pelo país para conversar com eleitores e publicando vídeos filmados em modo 'selfie' nas redes sociais.

Tem um currículo invulgar, que inclui posições como professor dos príncipes William e Harry e vice-governador de uma província no Iraque após a invasão liderada pelos EUA em 2003, além de ter escrito um livro após atravessar o Afeganistão a pé.

Declarou-se o candidato "anti-Boris" porque recusa uma rutura com a UE que resulte numa saída sem acordo e apelou ao "realismo" para aprovar o documento negociado pelo governo.

Esther McVey, 51 anos

Ex-apresentadora de televisão e antiga ministra do Trabalho, é uma eurocética e 'brexiter' que quer uma saída da UE a 31 de outubro, mesmo sem acordo.

Defende um programa de medidas que cativem a classe trabalhadora, defendendo aumentos para os funcionários públicos. Admite ter poucas hipóteses de ganhar.

Mark Harper, 49 anos

O menos conhecido dos candidatos, foi secretário de Estado em vários ministérios, mas nunca foi promovido, o que está a usar como vantagem, distanciando dos fracassos do governo na questão do 'Brexit'.

Está preparado para pedir um adiamento "curto e concentrado" para porque considera não ser "nem possível nem credível" negociar com a UE um novo acordo até 31 de outubro.

Começa a corrida à sucessão

A primeira volta da eleição decorre entre as 10h00 e 12h00 locais (mesma hora em Lisboa) e os resultados são esperados por volta das 13h00, determinando as regras que os candidatos com 16 votos ou menos sejam eliminados ou, se tal não acontecer, é afastado aquele com menor número de votos.

A votação vai decorrer numa sala do parlamento britânico equipada com cabines de votação, para garantir o segredo do voto, o qual será expresso num boletim, cuja cor será diferente a cada volta, e colocado numa urna metálica preta.

A segunda volta terá lugar na próxima terça-feira, 18 de junho, entre as 15h00 e 17h00, e são eliminados os candidatos com 32 votos ou menos, ou aquele que reunir menor apoio.

No dia 19 realiza-se uma terceira volta, entre as 15h00 e 17h00, e o processo continua no dia 20, para quando estão previstas uma série de votações a partir das 10h00 para reduzir os candidatos a apenas dois finalistas.

A partir de 22 de junho, os cerca de 160 mil membros do partido Conservador devem receber um boletim de voto, que terão de enviar por via postal até 22 de julho, sendo o vencedor anunciado nos dias seguintes.

Durante este processo, Theresa May, que renunciou formalmente à liderança do partido a 7 de junho, mantém-se em funções mas deverá apresentar a demissão logo que o sucessor esteja definido.

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