Vaticano diz que escolha de género é uma "ameaça à família tradicional"

O comunicado do Vaticano defende que as ideias flexíveis quanto ao género representam uma ameaça às famílias tradicionais e que ignoram as diferenças naturais entre homens e mulheres.

O Vaticano afastou esta segunda-feira a ideia de que os indivíduos possam optar por um género que difere do sexo com que nasceram.

A Igreja lançou mesmo um vasto documento sobre o assunto, num momento em que os países ocidentais estão a intensificar a sua luta pelas definições mais fluidas de identidade.

O comunicado foi emitido pelo departamento do Vaticano que supervisiona a educação católica, e defende, inclusivamente, que as ideias flexíveis quanto ao género representam uma ameaça às famílias tradicionais e que ignoram as diferenças naturais entre homens e mulheres.

As declarações escritas expressam lamento pelo "apelo ao reconhecimento do direito de escolha de género, em oposição direta ao modelo de casamento entre um homem e uma mulher".

A ideia da existência de um espetro de género e identidade é vista, então, pela Igreja como "nada mais do que um conceito confuso de liberdade no reino dos sentimentos e desejos".

O documento promove a educação tradicional católica romana sobre as diferenças biológicas intrínsecas entre homens e mulheres. Mas, para alguns defensores católicos de uma abordagem mais inclusiva e compreensiva da comunidade LGBTI+, o documento do Vaticano representou um retrocesso significativo.

O papa Francisco contraria, assim, alguns dos avanços dos últimos anos. Quando questionado, em 2013, sobre um padre do Vaticano que se dizia homossexual, Francisco replicou: "Quem sou eu para julgar?"

Já em 2016, o líder da Igreja Católica relatou em conferência de imprensa que havia recebido no Vaticano um transgénero espanhol, após uma cirurgia de redesignação de género, que tinha sido ostracizado pela sua paróquia.

"Devemos estar atentos, não dizendo que são todos iguais", frisou Francisco nessa altura, com a convicção de que "as pessoas devem ser acompanhadas".

Apesar de uma pequena secção da Igreja alertar contra a discriminação - com posicionamentos de que "ninguém deveria sofrer bullying, violência, insultos" e algumas frases sobre o acompanhamento de jovens estudantes católicos de uma forma que "é discreta e confidencial, capaz de alcançar aqueles que estão a experienciar situações complexas e dolorosas " -, o novo documento católico deixou vários setores mais inclusivos da religião insatisfeitos com os retrocessos.

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