Vendidas 50 cartas de Cohen a Marianne que são o prefácio do romance nunca terminado

A história de amor entre o remetente e a destinatária durou até à morte de ambos, em 2016.

Nunca foi uma despedida, até porque não haveria forma de dizer adeus ["That"s No Way to Say Goodbye"]. "Devo ir a seguir. Estamos tão perto que, se estenderes a mão, podes tocar-me." As frases são depois da morte e não depois do amor, contemporâneas da derrota de Marianne contra a leucemia, há cerca de três anos.

Cohen morreu logo em seguida, com apenas alguns meses de intervalo. A história de Leonard e Marianne ficou inacabada, mas conta-se em pelo menos 50 cartas, agora leiloadas por 876 mil dólares [776 mil euros] na Christie's.

Começa em 1960, na ilha grega de Hydra, era ainda Cohen um autor sem sucesso, com as artes poéticas distraídas pelas contas por pagar. Marianne, por seu lado, o protótipo da mulher resolvida, casada e com um filho nos braços, tornou-se a fonte de inspiração para "Bird on a Wire," "Hey, That's No Way to Say Goodbye" e "So Long, Marianne".

"É difícil escrever-te. As ondas são barulhentas. A praia está demasiado cheia, e tu estás demasiado dentro do meu coração para que eu consiga exprimir." São as palavras da primeira separação. Leonard Cohen desenhava, assim, nas areias finas de Telavive, a ampulheta traiçoeira do amor desencontrado.

Em manuscritos e fotografias versadas pelas palavras breves, o autor induzia um convite: "Vou a Hydra este verão. Estarás lá?" Em idas e voltas, a norueguesa permaneceu no lugar privilegiado de musa que removeu o negro da obra do cantautor ao forçar o mergulho no fundo da luz.

Escreveu Cohen: "There is a crack, a crack in everything. That's how the light gets in." Houve sempre uma fissura entre os dois que os invadiu de luz e de sonhos, houve sempre a dor sublimada da distância das vidas que não se intersetam.

"Minha querida, eu penso tanto em ti, olho tantas vezes para a tua fotografia. Eu sei que fomos felizes e podemos ser felizes novamente. Mas eu não sei quando", concretizava o artista em 1961, inspirado pelos clássicos como pela liberdade disruptiva dos pássaros.

Não se sabe como teria sido a obra de Cohen sem a norueguesa que o inspirou em canções. Sabe-se apenas a arte que lhe nasceu dos dedos, mesmo quando a distância não lhe permitia tocar. "Escreve-me e diz-me do teu coração", destinou-lhe, sempre num "para sempre", sempre num "so long, Marianne".

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