Maduro manda recado a Washington. Embaixada dos EUA em Caracas está sob vigilância

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou às autoridades do seu país, que reforcem a segurança à embaixada dos Estados Unidos em Caracas.

Adensam-se as tensões em Caracas. Nicolás Maduro ordenou um reforço da vigilância à embaixada norte-americana na capital da Venezuela.

A ordem do primeiro mandatário venezuelano teve lugar horas depois de terem sido detidos quatro ativistas que, há mais de um mês, mantinham um protesto no interior da embaixada da Venezuela em Washington, para chamar a atenção de que Nicolás Maduro é o único Presidente constitucional do seu país.

"Ordenei reforçar a vigilância, e a proteção policial e legal sobre o edifício do que foi a embaixada dos Estados Unidos, que pertence ao Governo dos Estados Unidos", admitiu Nicolás Maduro numa alocução transmitida em simultâneo, por imposição, às rádios e televisões do país.

O reforço da segurança é feito "em correspondência com a nossa visão estrita de respeito pelo direito internacional como base para a paz, como base moral" da posição da Venezuela no mundo, segundo Nicolás Maduro. "Vamos protegê-la ainda mais, porque a Venezuela cumpre com o direito internacional", disse.

Nicolás Maduro denunciou que um grupo de ativistas que se encontrava na representação diplomática venezuelana em Washington foi "assaltado por grupos de comando, no recinto da embaixada, de maneira brutal contra o direito internacional".

Na última quinta-feira foram detidos os últimos quatro ativistas, de um grupo inicial de algumas dezenas, que há mais de um mês mantinham um protesto no interior da embaixada da Venezuela em Washington.

Medea Benjamin, cofundadora do Code Pink, referiu à agência de notícias Associated Press que a polícia entrou na embaixada ao início da manhã para prender os ativistas que ainda se mantinham no seu interior. O Code Pink é um grupo que integra o designado "Coletivo de Proteção da Embaixada da Venezuela".

Os manifestantes consideram Nicolás Maduro o Presidente legítimo da Venezuela. Mas os Estados Unidos e cerca de 50 outros países referem que a reeleição de Maduro em maio de 2018 foi fraudulenta, e apoiam o líder do parlamento, Juan Guaidó, que, em janeiro, jurou assumir as funções de Presidente interino.

O ramo dos serviços secretos norte-americanos que se encarrega da proteção das delegações diplomáticas estrangeiras, confirmou à agência noticiosa EFE que os agentes executaram ordens de prisão contra "indivíduos que estavam no interior da embaixada da Venezuela".

Antes desta ação policial, Carlos Vecchio, o enviado de Guaidó nos Estados Unidos, escrevia na sua conta Twitter: "Fora com os invasores da nossa embaixada. Terminou a usurpação. Levou tempo e esforço para cumprirmos com os venezuelanos. Infinitamente agradecido à diáspora venezuelana pelo seu sacrifício. Próxima libertação: Venezuela".

"Obrigado ao Governo dos EUA, ao Departamento de Estado e corpos de segurança pelo seu apoio e por fazerem cumprir as leis e tratados internacionais. Terminou a usurpação. Continuamos a avançar", sublinhou.

A embaixada venezuelana, situada no seleto bairro de Georgetown, converteu-se num símbolo da luta do poder no interior da Venezuela. A embaixada foi ocupada para evitar que os enviados de Guaidó tomassem o controlo do edifício após a partida dos diplomatas designados pelo Governo de Maduro.

O protesto iniciou-se com pelo menos 30 ativistas no interior da embaixada, mas o seu número foi progressivamente diminuindo. O edifício estava sem eletricidade, água e acesso a alimentos desde a última passada e dezenas de apoiantes de Maduro concentravam-se frequentemente nas imediações em apoio aos ativistas.

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