"Vivemos em angústia." Vila na Costa do Marfim está a afundar

Todos os anos, a região de Lahou-Kpanda sofre com a subida do nível da água.

Os habitantes da vila de Lahou-Kpanda, na zona sudeste da Costa do Marfim, viram, nos últimos trinta anos, prisões, hospitais e escolas a serem destruídas pela água do mar. Segundo a agência Reuters, alguns moradores começaram a desenterrar os corpos de familiares com receio de que os túmulos se perdessem no mar, mas nem todos foram a tempo de o fazer.

"Hoje vivemos em angústia. O que vai acontecer se amanhã ninguém nos vier ajudar?", disse Daniel Loha, um dos habitantes mais antigos da vila. "Em África, os nossos pais, os nossos antepassados são muito importantes para nós e vê-los espalhados pelo mar é de partir o coração", acrescentou.

Na África Ocidental, onde um terço da população vive ao longo da costa, a subida do nível da água do mar e a erosão costeira estão a contribuir para a submersão das cidades. Além disso, os especialistas dizem que a construção feita muito perto da costa e o uso de areia costeira como material de construção pioram a erosão e tornam os edifícios vulneráveis.

A cidade Grand-Lahou, onde está localizada Lahou-Kpanda, teve de ser recolocada em 1970 a quase 20 km. Os habitantes tentaram incluir Grand-Lahou na lista de regiões protegidas pela UNESCO de modo a angariar fundos para salvar a península, mas os especialistas locais disseram que já era tarde demais, uma vez que os edifícios históricos já tinham sido perdidos.

A degradação da costa custou quase 2 mil milhões de dólares (o equivalente a cerca de mil e oitocentos milhões de euros) à Costa do Marfim, em 2017. De acordo com o Banco Mundial, a Costa do Marfim foi um dos países da África Ocidental que mais sofrem com o avanço do mar.

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