"Invadir a Área 51." A piada na internet que se tornou uma ameaça

A iniciativa de invadir a zona ultrassecreta dos EUA começou como uma piada, mas a "brincadeira" marcada para esta sexta-feira poderia ter consequências muito sérias.

A área proibida é a mais apetecida para um festival. Começou como uma piada, mas depressa tomou proporções alienígenas. A Área 51, nos Estados Unidos, conhecida por alimentar mitos, entre os quais o de conter provas da existência de vida extraterrestre.

Até 1995, o Governo norte-americano não tinha sequer reconhecido que a base militar existia, apesar de ocupar mais de um milhão de hectares. No entanto, ainda durante a década de 1920, a narrativa de que uma nave espacial teria ali aterrado e teria sido ali mesmo armazenada começou a gerar dúvidas. Bob Lazar foi um dos responsáveis por esta crescente curiosidade. O adepto de "teorias da conspiração" foi pioneiro em difundir esta teoria, várias vezes negada pelo Governo dos EUA.

Agora o mistério saltou para o Facebook, onde três páginas promovem um evento nas redes sociais para esta sexta-feira. "Invadir a Área 51, Eles Não Nos Podem Parar a Todos" ["Storm Area 51, They Can"t Stop All of Us"] tem potencial para abalar as autoridades norte-americanas. E a prova está nos últimos dez dias, em que a repercussão da invasão de dois famosos youtubers para lá do sinal de proibição que circunda a base militar tem deixado o Governo em alerta.

Ties Granzier e Govert Sweep, de 20 e 21 anos, avançaram cinco quilómetros para lá do permitido, e foram libertados no dia seguinte, não sem antes pagarem mais de 450 euros de finança. A história está a mobilizar a imprensa internacional de todo o mundo. A BBC cita fontes próprias crentes de que naquela zona do Nevada são desenvolvidos programas de espionagem e inteligência.

Depois da iniciativa de um humorista, os dois holandeses, produtores de conteúdos que têm milhares de seguidores na plataforma YouTube, levaram a ideia para lá dos limites da comédia. Foram encontrados num carro, e, quando questionados sobre se teriam avançado sem ver a sinalética, ambos responderam que teriam ignorado por curiosidade por descobrir o interior da controversa Área 51. O ato de rebeldia valeu-lhes uma noite passada numa cela.

O interior do veículo revelava câmaras fotográficas e de filmar, um computador e um drone, com imagens captadas na base militar. Mas, desses conteúdos, como do segredo, nenhuma pista resta.

O plano de ataque para esta sexta-feira pode também ter falhas: é que os milhões de pessoas que aderiram ao "Invadir a Área 51, Eles Não Nos Podem Parar a Todos", mais conhecido por "Alienstock", preparam-se, hipoteticamente, para invadir a área "alienígena" com uma corrida "à moda de Maruto" [desenho animado japonês] para contornar o trajeto das balas, e, por fim, chegar ao centro do segredo.

Se se concretizasse, os invasores podem ter de enfrentar seis meses de prisão, A área está permanentemente sob vigilância de sensores que detetam movimento, câmaras de reconhecimento facial e outros dispositivos de alta tecnologia. Há ainda guardas camuflados, diluídos na árida paisagem. Protegidos por uma lei federal dos anos 50, estas autoridades podem disparar para matar na consequência de qualquer ato desobediente.

A zona secreta do Nevada dificilmente será invadida, já que a porta-voz da Força Aérea norte-americana, Laura McAndrews, assegurou em comunicado enviado à imprensa que o Governo tem conhecimento desta "brincadeira", ainda que não tenha especificado qualquer plano de contingência para a eventualidade de alguém dar um passo em falso. Mas deixou o aviso: "A base de testes do Nevada é uma zona em que a Força Aérea testa caças de combate. Qualquer tentativa de a visitar ilegalmente revelar-se-á muito perigosa."

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