Investigadas queixas de violação da liberdade de imprensa nos protestos por George Floyd

Durante as manifestações, cerca de 45 jornalistas foram presos.

O Observatório da Liberdade de Imprensa nos Estados Unidos disse esta sexta-feira estar a investigar 280 queixas de violação da liberdade de imprensa no país, durante os protestos que ocorrem há uma semana pela morte do afro-americano George Floyd.

O Comité de Proteção de Jornalistas (CPJ), membro fundador do observatório, afirmou que durante as manifestações, que começaram em 26 de maio, cerca de 45 jornalistas foram presos e dezenas foram pulverizados com gás pimenta e gás lacrimogéneo ou atingidos por balas de borracha.

"O CPJ está horrorizado pelo uso contínuo de força e práticas violentas por parte da polícia contra os jornalistas. Pedimos para que não apontem à imprensa", disse o comité, em comunicado.

O diretor executivo do CPJ, Joel Simon, assegurou que a realidade atual é que as práticas "agressivas e militarizadas" em boa parte do país combinam com um número cada vez maior de manifestantes hostis aos media tradicionais.

"Tudo isso fez com que a cobertura dos protestos seja uma tarefa cada vez mais perigosa", advertiu Simon.

Através da sua página na internet, a CPJ rastreia os casos da violência contra a imprensa e é possível ver relatos de, por exemplo, vários jornalistas em Denver, no estado do Colorado, que afirmam ter sofrido um ataque com bolas de pimenta, projéteis utilizados para dispersar manifestantes e que deixam ardor na área atingida.

O CPJ alertou também para os ataques contra os carros de meios de comunicação que cobrem as manifestações e de perseguições por parte de manifestantes a jornalistas de órgãos de comunicação social, como a Fox News.

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de atos de pilhagem.

Pelo menos 10 mil pessoas foram detidas desde o início dos protestos, e as autoridades impuseram recolher obrigatório em várias cidades, incluindo Washington e Nova Iorque, enquanto o Presidente norte-americano, Donald Trump, já ameaçou mobilizar os militares para pôr fim aos distúrbios nas ruas.

Os quatro polícias envolvidos foram despedidos, e o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi acusado de homicídio em segundo grau, arriscando uma pena máxima de 40 anos de prisão.

Os restantes vão responder por auxílio e cumplicidade de homicídio em segundo grau e por homicídio involuntário.

A morte de Floyd ocorreu durante a sua detenção por suspeita de ter usado uma nota falsa de 20 dólares (18 euros) numa loja.

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