Irão alerta Europa para consequências de eventuais sanções sobre nuclear

O Irão avisou que a resposta será "adequada e decisiva" e sublinhou que a República Islâmica está "totalmente preparada para enfrentar qualquer tipo de esforço construtivo para manter o importante acordo internacional".

O Irão alertou Berlim, Londres e Paris para "as consequências" da decisão de iniciar um processo de resolução de disputas no âmbito do acordo nuclear internacional iraniano de 2015, caso implique novas sanções ao país.

A França, a Alemanha e o Reino Unido acionaram esta terça-feira um mecanismo de resolução de disputas para forçar o Irão a cumprir os compromissos assumidos no acordo nuclear assinado em 2015, num processo que será supervisionado pela União Europeia.

"É claro que, se os europeus [...] quiserem abusar [desse processo], devem estar preparados para aceitar as consequências, que já lhes foram enunciadas", referiu o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, em comunicado divulgado esta terça-feira.

O ministério iraniano avisou que a resposta será "adequada e decisiva" e sublinhou que a República Islâmica está "totalmente preparada para enfrentar qualquer tipo de esforço construtivo para manter o importante acordo internacional".

O chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, garantiu esta terça-feira que o processo não prevê a reposição de sanções a Teerão, assegurando que o objetivo é "resolver questões relacionadas com a implementação do acordo, no âmbito da comissão conjunta".

O chefe da diplomacia europeia, que irá coordenar todo o processo por ser também coordenador da comissão conjunta do acordo, adianta que este Mecanismo de Resolução de Disputas exige agora "intensos esforços de boa-fé por parte de todos".

"À luz da perigosa escalada de violência no Médio Oriente, a preservação do Plano de Ação Conjunto Global é agora mais importante do que nunca", referiu.

No início deste mês, o Irão anunciou que iria deixar de cumprir os compromissos relativos ao tratado nuclear assinado em 2015, deixando de respeitar os limites relativamente ao enriquecimento e armazenamento de urânio.

O anúncio, divulgado pela televisão estatal do Irão, foi feito depois de um responsável iraniano ter adiantado que o país estava a ponderar tomar medidas mais duras em retaliação pela morte do general iraquiano Qassem Soleimani, num ataque dos Estados Unidos, em Bagdad.

O Plano de Ação Conjunto Global é um acordo firmado a 14 de julho de 2015, em Viena, pelo Irão e pelos países com assento no Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido), mais a Alemanha, visando restringir a capacidade do Irão para desenvolver armas nucleares.

Entre outras disposições, o acordo limita o número de centrifugadoras (utilizadas para enriquecer urânio) de que o Irão pode dispor a 6104, contra 20.000 que tinha antes da aplicação do pacto.

O acordo permitiu, por isso, o levantamento de parte das sanções internacionais ao país em troca do compromisso de Teerão de que o seu programa nuclear tem fins pacíficos.

Em maio de 2018, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos se retiravam do acordo e voltavam a aplicar sanções ao Irão.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de