Irão avisa EUA para que não se intrometam em assuntos internos do país

Guardas da Revolução Islâmica avisam que, caso os protestos continuem, vão tomar medidas decisivas sobre os manifestantes.

O Irão acusou esta segunda-feira os Estados Unidos de ingerência por a Casa Branca ter afirmado estar "com o povo iraniano" nas manifestações contra a subida do preço dos combustíveis, que já provocaram duas mortes.

A posição iraniana foi tomada como reação a uma mensagem do secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo referindo que os Estados Unidos "estão com o povo iraniano".

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Teerão considerou que a mensagem representa "uma declaração de apoio a um grupo de desordeiros" e condenou as "observações intervencionistas e hipócritas" norte-americanas.

No domingo, a Casa Branca criticou a utilização de força no Irão depois de dois dias de protestos que levaram Teerão a interromper o acesso à Internet.

"Os Estados Unidos apoiam os iranianos nas suas manifestações pacíficas contra o regime que os deveria liderar", afirmou no domingo Stephanie Grisham, porta-voz do executivo norte-americano, em comunicado.

"Condenamos o uso de força contra os manifestantes e as restrições de comunicação", acrescentou, denunciando os excessos de um regime que "abandonou o seu povo".

O Irão, que vive uma grave crise económica, anunciou na sexta-feira o aumento do preço da gasolina em pelo menos 50% para reformar o caro sistema de subvenção dos combustíveis e lutar contra o contrabando.

No Irão, um dos países onde a gasolina é mais subsidiada, o preço do litro era até agora de 10.000 riais iranianos, menos de oito cêntimos de euro.

O anúncio deu início a uma onda de protestos, que já afetou pelo menos 25 cidades no Irão, e que rapidamente escalou para a violência.

Considerados como "desordeiros" pelas autoridades iranianas, os manifestantes bloquearam estradas, incendiaram bancos e edifícios públicos, tendo também tentado atear fogo a depósitos de combustível.

Segundo a agência oficial Irna, um polícia e um civil morreram nos confrontos.

A retirada unilateral dos Estados Unidos, em 2018, do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano alcançado em 2015, e o facto de terem decretado novas e mais pesadas sanções contra Teerão, mergulharam a economia do Irão numa grave recessão.

O Governo iraniano reconheceu que o dia de hoje está a ser "mais calmo", embora continue a enfrentar "alguns problemas menores".

"Comparando com o dia de ontem [domingo], a situação está 80% mais calma", afirmou o porta-voz do Governo iraniano, Ali Rabii, admitindo que "ainda existem alguns problemas".

"Amanhã ou depois de amanhã [na terça ou na quarta-feira] já não teremos nenhum problema", acrescentou.

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