Irão começou a enriquecer urânio em centrifugadoras avançadas

Inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) referem que verificaram, na quarta-feira, que nas instalações nucleares de Natanz estão montados 20 modelos de centrifugadoras do tipo IR-4 e duas "cascatas", totalizando 30 modelos do tipo IR-6.

O Irão iniciou o processo de enriquecimento de urânio em centrifugadoras avançadas, seguindo o plano que anunciou de reduzir os compromissos nucleares assumidos pelo país em 2015, divulgou esta quinta-feira a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

Segundo um relatório da AIEA, a agência da ONU encarregada de controlar as atividades nucleares do Irão e o respeito pelos termos do acordo de 2015, as centrifugadoras avançadas recentemente montadas nas instalações nucleares de Natanz na província de Isfahan (centro) "estão a acumular, ou estão preparadas para acumular, urânio enriquecido".

O acordo nuclear -- firmado entre o Irão e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China) e a Alemanha -- autoriza o regime de Teerão a produzir urânio enriquecido apenas com centrifugadoras de primeira geração (IR-1).

No novo relatório, os inspetores da AIEA referem que verificaram, na quarta-feira, que nas instalações nucleares de Natanz estão montados 20 modelos de centrifugadoras do tipo IR-4 e duas "cascatas", totalizando 30 modelos do tipo IR-6.

A instalação de centrifugadoras em cascata acelera o processo de enriquecimento de urânio.

Após o abandono unilateral em 2018 dos Estados Unidos do acordo internacional e a reposição das sanções norte-americanas, que têm penalizado fortemente a economia iraniana, o Irão declarou que não se sentia obrigado a continuar a respeitar alguns dos seus compromissos no pacto enquanto os restantes signatários, nomeadamente os países europeus, não conseguissem ajudá-lo a contornar as medidas punitivas.

O pacto internacional visava limitações e maior vigilância do programa nuclear iraniano em troca do levantamento das sanções internacionais.

O Irão iniciou em maio passado um plano gradual de redução dos compromissos e no início deste mês o Presidente iraniano, Hassan Rohani, afirmou que Teerão ia avançar com a terceira fase do plano, ou seja, ia suspender todos os limites à pesquisa e ao desenvolvimento nuclear, de forma a fornecer ao país tudo o que precisa para o enriquecimento de urânio.

Na quarta-feira, Rohani reafirmou na Assembleia-Geral da ONU que o Irão não negociará com os Estados Unidos enquanto Washington impuser sanções contra Teerão.

"Em nome da minha nação, quero anunciar que a nossa resposta a qualquer negociação enquanto houver sanções é negativa", declarou.

Rohani adiantou que para se obter uma resposta positiva do Irão ter-se-á de respeitar os compromissos anteriores.

No mesmo dia, e também na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, a chefe da diplomacia europeia em funções, Federica Mogherini, reconheceu ser cada vez mais difícil preservar o acordo nuclear com o Irão, apesar da determinação e do compromisso dos países que continuam vinculados ao pacto.

Na mesma ocasião, a representante comunitária pediu a Teerão para que recue na sua decisão de reduzir os compromissos nucleares que assumiu com a comunidade internacional em 2015.

Mogherini insistiu igualmente que todos os passos dados até ao momento pelas autoridades iranianas "são reversíveis", salientando que a proteção do acordo nuclear vai ao encontro "do interesse de todos".

As potências europeias, que após a saída norte-americana assumiram imediatamente a defesa do acordo nuclear, começaram a distanciarem-se nas últimas semanas do Irão.

O clima de tensão entre Teerão e a comunidade internacional agravou-se este mês na sequência de um ataque contra instalações petrolíferas da Arábia Saudita, uma ação reivindicada pelos rebeldes Houthis do Iémen (apoiados pelo Irão) e que tanto os Estados Unidos como Berlim, Paris e Londres atribuíram, entretanto, responsabilidades às autoridades iranianas.

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