Irão espera reunião "construtiva" com diretor da Agência Internacional para a Energia Atómica

Reunião acontece uma semana antes de serem retomadas as negociações formais para tentar salvar o acordo de 2015, entre o Irão, Estados Unidos, Reino Unido, China, Rússia, França e Alemanha.

O Irão espera que a visita do diretor da Agência Internacional para a Energia Atómica (AIEA), que chegou a Teerão na segunda-feira, seja "construtiva". A reunião acontece uma semana antes de serem retomadas, em Viena, as negociações formais para tentar salvar o acordo de 2015, entre o Irão, de um lado, e Estados Unidos, Reino Unido, China, Rússia, França e Alemanha, do outro.

"Esperamos que a visita de Rafael Grossi seja tão construtiva quanto as anteriores", disse o porta-voz do Ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros, Said Khatibzadeh, durante uma conferência de imprensa.

"Sempre aconselhamos a AIEA a permanecer no caminho da cooperação técnica e não permitir que determinados países avancem com os seus objetivos políticos em nome desta organização", acrescentou.

Esta terça-feira, o representante das Nações Unidas deve reunir-se com Mohammad Eslami, que dirige o organismo civil iraniano, sendo que Rafael Grossi espera "apresentar questões importantes".

"Espero estabelecer um canal de cooperação direto no sentido do diálogo para que a AIEA possa retomar as verificações sobre as atividades do país", disse Grossi numa mensagem que divulgou através da rede social Twitter.

O acordo concluído em 2015 entre o Irão e os Estados Unidos, Reino Unido, China, Rússia, França e Alemanha levou à suspensão de algumas sanções internacionais que sufocam a economia de Teerão, em troca de uma redução drástica do seu programa nuclear, que foi colocado sob o controlo restrito da ONU. Os Estados Unidos abandonaram o acordo em 2018, quando Donald Trump ainda era Presidente, e impuseram novamente as sanções. Como consequência, Teerão foi abandonando os seus compromissos, de forma gradual.

O atual Presidente norte-americano, Joe Biden, afirmou que está disposto a voltar a este acordo, desde que o Irão retome, simultaneamente, as restrições acordadas. A viagem de Grossi a Teerão ocorre depois de a AIEA ter informado, na semana passada, um aumento significativo da quantidade de urânio altamente enriquecido produzido pelo Irão nos últimos meses. "Se o Irão continuar neste ritmo, será impossível obter benefícios, mesmo voltando ao acordo", disse na sexta-feira o enviado dos Estados Unidos Rob Malley.

No sábado, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, disse que todas as opções estão em cima da mesa, nomeadamente se a diplomacia falhar. Quando questionado sobre a possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos, o porta-voz iraniano dos Negócios Estrangeiros afirmou, com ironia: "Vimos todas as opções no Afeganistão e eles viram o resultado. Acho que não acreditam no que dizem."

Khatibzadeh, por sua vez, acusou Washington de fazer campanha psicológica contra o Irão e alertou que, em Viena, isso não vai valer de nada aos Estados Unidos.

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