Irlanda. "Ciberataque" inviabiliza certificado Covid-19 na data prevista

Bruxelas recomenda utilização do certificado para "concertos, festivais, teatro, e por aí adiante"

O vice-presidente da Comissão Europeia com a pasta da Justiça, Didier Reynders revelou hoje que um ciberataque na Irlanda vai impossibilitar a entrada em funcionamento do certificado da Covid-19, na data prevista, em todos os países.

Reynders garante que está "praticamente" tudo pronto com a exceção da Irlanda, onde o sistema eletrónico foi alvo de um ataque informático, e não está preparado a tempo fazer coincidir a utilização do documento, com a publicação do regulamento europeu.

"Tivemos uma boa evolução, com praticamente todos os Estados-Membros [em condições], exceto a Irlanda, até agora", afirmou o vice-presidente, revelando que o caso ocorre "devido a um ciberataque".

"Tem sido difícil alcançarem o objetivo de terem todas as soluções técnicas em funcionamento antes de 1 de julho, mas em relação a todos os outros Estados-Membros não temos qualquer preocupação sobre a forma de avançar", garantiu.

O ataque ao serviço público de saúde já ocorreu há mais de um mês, e o governo tinha garantido que, apesar dos receios, o incidente não faria atrasar os planos para o passe da Covid-19. Mas, Bruxelas já recebeu informações da autoridades sanitárias da Irlanda que não será possível o funcionamento da plataforma eletrónica.

Emissões

Vários países começaram há semanas a emitir o documento. Alemanha, Bulgária, Croácia, Dinamarca, Grécia, Polónia, e República Checa marcaram o arranque da primeiras emissões.

Portugal começou os testes da plataforma há um mês, e "concluiu com sucesso o upload e download das chaves públicas [de criptografia]", necessárias para verificar o certificado nas fronteiras, informou a Comissão Europeia.

Foram também realizados testes de segurança do sistema, com a leitura e validação de certificados, definida até ao final do mês, para que o documento possa estar em vigor a partir de amanhã, 1 de Julho.

Espetáculos e restaurantes

Com o sistema pronto a funcionar em quase todos os Estados-Membros, Reynders recomenda que a "nova ferramenta" seja solicitada para outras finalidades, além das viagens.

"Recomendamos a todos os Estados-Membros que usem esta ferramenta não apenas para a livre circulação, mas também para outras possibilidades a nível nacional", defendeu, dando os exemplos de "concertos, festivais, teatro, e por aí adiante".

Numa altura em que já estão disponíveis várias plataformas privadas que oferecem com grande eficácia a mesma funcionalidade de descarregamento e leitura de dados sanitários através de códigos QR, o coordenador da pasta da Justiça, no executivo comunitário entende que é "preciso evitar a confusão e fragmentação, entre os certificados europeu e todo o tipo de certificados a nível nacional".

Variantes e viajantes

Didier Reynders reconhece que há uma "preocupação" relativamente às variantes do coronavírus, mas a falar numa conferência de imprensa em Bruxelas, deixou um aviso às autoridades dos Estados-Membros que estejam a contar impor restrições aos viajantes.

"Se houver alguma intenção de regressarem às diferentes restrições, quero apenas confirmar que será necessário informar os outros Estados-Membros e a Comissão antes de organizarem o procedimento de novas restrições", alertou, embora reconheça que "é possível, se houver uma situação negativa".

Bruxelas vai analisar, a partir de amanhã, na data de entrada em vigor do regulamento, as restrições determinadas pelas autoridades sanitárias alemãs, aos viajantes oriundos de Portugal. Os especialistas da Comissão vão verificar se as medidas aplicadas por Berlim estão em conformidade com as disposições do novo regulamento.

Já esta semana, a Comissão Europeia considerou que a decisão de Berlim, de impor quarentenas às viagens de Portugal para a Alemanha, "não está alinhada" com as medidas no âmbito do certificado da Covid-19 da União Europeia.

A par da análise, Bruxelas enviará o assunto ao Conselho, para que seja discutido ao nível dos governos, no âmbito dos objetivos de coordenação previstos.

Ainda assim, o vice-presidente da Comissão Europeia, com a pasta da Justiça, Didier Reynders e a comissária da Saúde, Stella Kyriakides não deixaram de apelar ao sentido de urgência para conter a propagação de novas variantes, numa carta dirigida a todos os governos europeus, na qual apelaram a que o certificado digital seja colocado em funcionamento

"É importante que se mantenham atentos, por causa da nova variante delta", disse o porta-voz da Comissão, Christian Wigand, afirmando que, na carta, os comissários também pedem para que os governos "estejam prontos para reintroduzir medidas de saúde pública, se forem necessárias, incluindo a utilização do chamado travão de emergência".

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