Irlanda quer reforçar as relações comerciais com Portugal

"Há cerca de 2,6 mil milhões de euros em comércio entre os nossos dois países no ano passado" em termos de bens e serviços e "vemos a oportunidade de aumentar isso", defendeu o ministro irlandês Robert Troy.

O ministro da Promoção Comercial irlandês, Robert Troy, classificou, em entrevista à Lusa, a relação entre Portugal e Irlanda de "muito boa" e disse ver "oportunidade" de aumentar as exportações entre os dois países.

O ministro da Promoção Comercial, Digital e Regulação Empresarial ('Trade Promotion, Digital and Company Regulation') realizou uma missão de dois dias em Portugal, na passada quinta e sexta-feira, acompanhado de 10 empresas, que se reuniram com compradores portugueses.

"A relação [entre os dois países] é muito boa", aliás, "este ano celebramos o 80.º aniversário da nossa presença diplomática em Portugal", sublinhou o governante, apontando que Lisboa e Dublin são "membros muito fortes" da União Europeia.

"Vemos a vantagem de fazer parte de um bom 'clube'", destacou, salientando que a sua presença em Portugal visa "construir" sobre o que já existe entre os dois países.

"Há cerca de 2,6 mil milhões de euros em comércio entre os nossos dois países no ano passado" em termos de bens e serviços e "vemos a oportunidade de aumentar isso", defendeu o ministro irlandês Robert Troy.

"De crescer tanto da perspetiva das empresas irlandesas que exportam para Portugal, mas também das empresas portuguesas que exportam para a Irlanda", disse, considerando que "há uma base muito boa" nisso.

"Trata-se de construir sobre essa base, utilizando o nosso lugar comum dentro da UE para crescer, acho que isso é algo realista e é uma ambição que temos", considerou, afirmando ser esta a razão pela qual marcou presença em Portugal esta semana.

O objetivo principal da visita foi apoiar os clientes empresariais da Irlanda e as empresas que procuram ter relações comerciais com Lisboa.

Nesta visita foram 10 as empresas irlandesas -- desde engenharia, passando pela construção, 'software', mobilidade, entre outras áreas -- que acompanharam o governante e que interagiram com vários compradores portugueses, com o ministro a esperar que "alguns negócios sejam feitos" durante a missão.

No ano passado, o comércio internacional representou para a Irlanda 840 mil milhões de euros, contribuindo para "1,3 milhões de pessoas empregadas" no país.

"Mais de metade das pessoas empregadas na Irlanda dependem do comércio internacional", trata-se de uma "componente muito importante da nossa economia e algo em que damos grande ênfase", destacou.

Por isso, o objetivo "é aumentar a nossa presença em outros países" e "aumentar o nosso comércio" e "é fundamentalmente isso que trata" a visita a Portugal.

No início deste mês, a Irlanda lançou a estratégia para o comércio e investimento 2022-2026, um tema que também esteve na agenda desta visita.

"Não temos recursos naturais na Irlanda, por isso dependemos do comércio" para realizar investimento crítico em infraestruturas, estradas, hospitais, escolas, entre outros, apontou Robert Troy.

Esta estratégia, acrescentou, indica para onde é que a Irlanda quer ir no comércio e no investimento "nos próximos cinco anos" e olha para como pode explorar o facto de ser membro da UE para aumentar o seu comércio e os acordos de comércio livre que esta assinou com 41 outras regiões que representam 73 países.

"E, obviamente, isso é algo muito atual no contexto do que está a acontecer na Ucrânia no momento, mas também muito atual em termos do contexto da Covid-19 e como isso levou a interrupções nas cadeias de abastecimento e tudo mais", prosseguiu.

"Talvez não tanto para Portugal, mas do ponto de vista irlandês, [houve] o impacto que o Brexit teve nas nossas cadeias de abastecimento", mas, apesar destes desafios, "suponho que haja oportunidades" em termos de busca de novos mercados para garantir a manutenção das cadeias de fornecimento, referiu.

"Acho que há uma oportunidade entre a Irlanda e Portugal" na forma como "podemos olhar" para o país "em termos de produtos ou serviços que os portugueses poderiam fornecer à Irlanda que talvez estejamos a receber historicamente de outros países", defendeu.

Isto porque "acredito sempre que qualquer nuvem tem um lado bom e com cada desafio há uma oportunidade e trata-se de aproveitar essa oportunidade e trabalhar" nisso.

Questionado sobre que oportunidades é que Portugal pode beneficiar da estratégia irlandesa, Robert Troy destaca a produção agroalimentar.

"Dado o seu clima e localização, [Portugal] é capaz de produzir coisas que nós não somos capazes de produzir" na área alimentar e "essa é uma oportunidade clara onde poderíamos procurar aumentar o comércio", bem como na área do aço, produtos químicos, construção, têxteis, elencou.

"Estas são áreas onde temos oportunidade de maior comércio de Portugal numa perspetiva irlandesa", salientou.

Além disso, ainda há o turismo, "uma área muito clara onde nos apoiamos uns aos outros", prosseguiu.

No entanto, disse o ministro a sorrir, talvez "a Irlanda apoie Portugal mais do que Portugal apoia a Irlanda nesta área", aludindo ao número de turistas irlandeses no país, que em 2019 ultrapassou os 500.000.

"É um investimento significativo para o vosso país, acho que isso mostra o apreço que os irlandeses têm por Portugal", rematou.

No âmbito desta visita, o ministro com a tutela de promover o comércio reuniu-se também com representantes do Governo português.

"É uma oportunidade de dialogar com os meus homólogos aqui em Portugal em termos de questões que afetam os nossos países", referiu, reconhecendo que "obviamente" a questão da guerra "injustificada" e as dificuldades que esta provoca no comércio, nomeadamente na Europa, é um tema presente. Além de como é que a Irlanda e Portugal podem trabalhar "mais próximos" para melhorar o comércio entre os dois países.

Robert Troy destaca que ambos os países "são orgulhosos membros da União Europeia", com a Irlanda a celebrar 50 anos em 2022 e Portugal 35.

Considerou ainda que ambos os países podem utilizar o facto de serem membros da UE para apoiar maiores relações comerciais não apenas entre os dois, mas usando os muitos acordos de livre comércio que a União Europeia assinou.

Robert Troy elogiou ainda a aposta de Portugal na transição para as energias renováveis, que considerou ser algo que a UE tem de fazer e que a Irlanda tem muito que fazer nesta matéria.

Referiu que as energias renováveis são também uma oportunidade para a colaboração entre Portugal e a Irlanda, nomeadamente na energia eólica 'offshore', para que Dublin possa aprender com a experiência portuguesa.

O ministro irlandês defendeu a aposta nas energias renováveis e que se deve reduzir a dependência de combustíveis fósseis e a sua importação de países instáveis. E reforçou a necessidade de diversificação de mercados.

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