Isabel dos Santos admite que arresto de bens pode obrigar a fecho de empresas

Empresária angolana recorreu ao Instagram para esclarecer questões sobre as consequências do arresto de bens.

Isabel dos Santos assume que o arresto dos bens decretado pela justiça angolana pode determinar o fecho de algumas das empresas que fundou e que lidera.

A empresária promoveu uma sessão de esclarecimento na rede social Instagram, onde durante cerca de meia hora respondeu a perguntas sobre o inquérito que levou ao arresto das suas contas em Angola, manifestando reservas sobre a capacidade de acompanhar a gestão das suas empresas, sem poder mexer no dinheiro.

Explica que pediu às equipas das diversas empresas que tentem continuar a trabalhar normalmente, dentro das limitações. "Temos de pagar equipamentos, salários, fornecedores", lembra.

Isabel dos Santos admite que as autoridades não eram obrigá-las a notificá-la previamente sobre o arresto dos bens, mas considera que teria sido aconselhável que o tivessem feito, já que a decisão do Tribunal Provincial de Luanda afeta empresas que empregam milhares de trabalhadores.

"Estamos num momento de crise económica e, assim sendo, se as empresas não são acompanhadas muito de perto e não têm o apoio do acionista, de quem as criou, seguramente o risco está sempre aí."

A empresária conta ainda que já falou com o pai, o antigo presidente José Eduardo dos Santos, que lhe recomendou que a continue a lutar. "O meu pai está preocupado, mas acredita que em Angola tem que vencer a verdade."

Esta segunda-feira, o Tribunal Provincial de Luanda decretou o arresto preventivo de contas bancárias pessoais da empresária angolana Isabel dos Santos, do marido, Sindika Dokolo, e do português Mário da Silva, além de nove empresas nas quais detêm participações sociais.

Um comunicado de segunda-feira da PGR de Angola refere que o Serviço Nacional de Recuperação de Ativos intentou uma providência cautelar de arresto no Tribunal Provincial de Luanda contra Isabel dos Santos, Sindika Dokolo e Mário Filipe Moreira Leite da Silva.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola, Isabel dos Santos, Sindika Dokol e Mário Silva celebraram negócios com o Estado angolano através das empresas Sodiam, empresa pública de venda de diamantes, e com a Sonangol, petrolífera estatal.

O arresto consiste numa apreensão judicial de bens e funda-se no receio de perda da garantia patrimonial face ao crédito não pago.

Além das contas dos três requeridos em Angola, foram ainda arrestadas as participações de Isabel dos Santos em várias empresas angolanas, como a Unitel, Zap, BFA, Contidis.

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