John Kerry confiante que acordo de Glasgow vai ajudar a evitar "caos climático"

O antigo secretário de Estado norte-americano admitiu que o texto não é perfeito e que não gostou da forma como a emenda de fim faseado do uso do carvão como fonte de energia e dos subsídios a combustíveis fósseis foi alterada, mas que teve de fazer uma escolha entre aceitar, ou pôr em risco o resto do acordo, que tem outras conquistas.

O enviado especial dos Estados Unidos para o Ambiente, John Kerry, afirmou que o acordo alcançado na COP26 em Glasgow aproxima o mundo "mais do que nunca" de "evitar o caos climático".

Numa conferência de imprensa no final da conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas, Kerry afirmou que essa conclusão "não é um exagero", pois acredita que o pacto alcançado à última hora, após tensas negociações e apesar de divergências entre os 197 países presentes, aprofunda os compromissos firmados no Acordo de Paris de 2015.

"Eu realmente acredito que, como resultado desta decisão e como resultado dos anúncios que foram feitos ao longo das últimas duas semanas, estamos na verdade mais perto do que nunca de evitar o caos climático e garantir um ar mais limpo, água mais segura e um planeta mais saudável", afirmou.

Numa referência à controversa alteração de um parágrafo onde é proposta de fim faseado do uso do carvão como fonte de energia e dos subsídios a combustíveis fósseis, Kerry salientou que essa questão é inédita neste tipo de declarações.

O antigo secretário de Estado norte-americano admitiu que o texto não é perfeito e que não gostou da forma como a emenda foi alterada, mas que teve de fazer uma escolha entre aceitar, ou pôr em risco o resto do acordo, que tem outras conquistas.

"A verdade é que o que aconteceu aqui é muito significativo", disse.

A 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26) adotou formalmente uma declaração final com uma alteração de última hora proposta pela Índia que suaviza o apelo ao fim do uso de carvão.

A alteração foi proposta pelo ministro do Ambiente indiano, Bhupender Yadav, que no plenário de encerramento da COP26 pediu para mudar a formulação de um parágrafo em que se defendia o fim progressivo do uso de carvão para produção de energia sem medidas de redução de emissões.

A proposta acabou por ser aprovada pelo presidente da cimeira, Alok Sharma, que afirmou de voz embargada "lamentar profundamente a forma com este processo decorreu".

O documento final aprovado, que ficará conhecido como Pacto Climático de Glasgow, preserva a ambição do Acordo de Paris, alcançado em 2015, de conter o aumento da temperatura global em 1,5ºC (graus Celsius) acima dos níveis médios da era pré-industrial.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, comentou o acordo alcançado em Glasgow alertando que apesar de "passos em frente que são bem vindos, a catástrofe climática continua a bater à porta".

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