Johnson & Johnson retoma envio da vacina contra a Covid-19 para a Europa

Bula do fármaco vai passar a conter "informações importantes" sobre os casos de tromboembolismo.

A Johnson & Johnson vai retomar o fornecimento das vacinas contra a Covid-19 à União Europeia, Noruega e Islândia.

"No seguimento da recomendação do Comité de Avaliação de Risco e Farmacovigilância (da EMA), a empresa vai retomar o envio da vacina da Janssen contra a Covid-19 para a União Europeia, Noruega e Islândia. As orientações atualizadas da EMA e dos profissionais de saúde estarão disponíveis para as autoridades de saúde locais", anunciou a empresa em comunicado, sem precisar, no entanto, a data em que será retomado o envio das vacinas de dose única contra a Covid-19.

A empresa norte-americana diz ter ficado muito satisfeita com a avaliação feita pela Agência Europeia do Medicamento (EMA) de que os benefícios da vacina são muito superiores ao risco e adianta que vai cumprir com as alterações defendidas pela EMA, nomeadamente a necessidade de alterar a bula.

A nova documentação vai "incluir informações importantes sobre o diagnóstico e a gestão" da formação de coágulos sanguíneos associados a baixas contagens de plaquetas e que podem ocorrer num prazo de uma a três semanas após a injeção, um evento considerado "raro".

"Os profissionais de saúde serão alertados para os sinais e sintomas de tromboembolismo com trombocitopenia, bem como para o curso apropriado do tratamento", lê-se num comunicado da farmacêutica.

A Johnson & Johnson sublinha ainda que "a segurança e o bem-estar das pessoas" que usam os seus produtos são a sua "prioridade número um" e agradece a revisão rigorosa levada a cabo pela EMA e a partilha do objetivo de "aumentar o conhecimento dos sinais e sintomas do evento adverso muito raro".

O comité de segurança da EMA anunciou hoje que concluiu existir uma possível ligação entre a vacina da Janssen e casos muito raros de coágulos sanguíneos detetados em vacinados Estados Unidos, mas insistiu nos benefícios do fármaco contra a Covid-19, dada a gravidade da doença.

Em causa está uma investigação da EMA a oitos casos raros de coágulos sanguíneos associados a baixos níveis de plaquetas sanguíneas após toma da vacina nos Estados Unidos, um dos quais foi mortal, de um universo de sete milhões de pessoas vacinadas naquele país.

Ainda não foram registados casos idênticos na UE.

Como a Covid-19 está associada a um risco de hospitalização e morte, a EMA insistiu hoje que os benefícios globais da vacina Janssen na prevenção da doença superam os riscos de efeitos secundários, apesar de defender que estas tromboses sejam listadas como efeitos secundários muito raros da vacina.

No dia 9 de abril, a EMA iniciou uma investigação sobre casos de coágulos sanguíneos nos Estados após toma da vacina da Johnson & Johnson contra a covid-19, dias antes de o fármaco chegar à UE.

Já no dia 13 de abril, as autoridades de saúde dos Estados Unidos recomendaram uma pausa na administração da vacina anti-covid-19 da Janssen, para permitir investigar relatos de coágulos sanguíneos potencialmente associados à toma do fármaco.

Esta situação levou a empresa a atrasar o envio do fármaco de dose única para a Europa.

Portugal recebeu na passada quarta-feira as primeiras 31.200 doses da vacina da Janssen contra a covid-19, que estão armazenadas e a aguardar decisão do regulador europeu.

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