Jovens ucranianos mobilizam-se para ajudar o país

Há doze dias, a invasão russa mudou por completo as expectativas de milhares de jovens ucranianos. Vsevolod Martseniuk estudava direito na universidade de Kharkiv e agora é ativista.

Vsevolod tem 19 anos e foi obrigado a fugir de Kharkiv porque a situação era insustentável. Ele admite que não foi surpreendido pela invasão, mas sempre esperou que ela não acontecesse. Quando os bombardeamentos começaram fugiu para a cave com a família. A situação foi-se agravando e ele disse à TSF que "o exército russo bombardeava os civis e as casas deles. Destruíram hospitais, escolas e mesmo que nos escondêssemos debaixo de terra continuávamos em risco. Foi por isso que decidi deixar a cidade".

Martseniuk viajou de carro, demorou dois dias e meio a chegar a Lviv, junto à fronteira com a Polónia. Pelo caminho viu muita destruição, muitos carros e muito desespero. Garante que foi difícil porque não havia segurança, faltava gasolina e muitas das pontes no país estão destruídas. Algumas foram bombardeadas pelos russos, mas outras foram destruídas pelo próprio exército ucraniano para travar o avanço das tropas de Putin.

O estudante está agora na zona ocidental do país e está mobilizado para convencer o ocidente a endurecer as sanções contra a Rússia. Com as universidades fechadas há quem tenha decidido combater, quem distribua ajuda humanitária e Vsevolod Martseniuk decidiu usar a formação que tem em direito para defender a Ucrânia. "Continuo a trabalhar com os meus colegas, agora como voluntários em diversos projetos. Por exemplo, tentamos dizer o que se passa, tentamos mostrar porque devem parar os negócios com a Rússia porque o dinheiro e os impostos financiam o governo e esta guerra é o resultado disso," explicou.

Vsevolod conta que há alguns dias tentaram mobilizar os estudantes russos para o debate, mas ficou chocado com a posição que defenderam. "Nenhum deles quis falar, todos disseram: esta não é a nossa guerra, não é problema nosso. Seremos presos se dissermos qualquer coisa contra o governo. Decidiram ficar em silêncio, mas eles deviam partilhar os valores europeus." O jovem adianta que os estudantes russos apagaram todas as mensagens que lhes enviaram da Ucrânia.

Vsevolod Martseniuk admite alguma perplexidade com o facto de esses mesmos estudantes se continuarem a candidatar a bolsas europeias e decidiu agir. Os jovens ucranianos contactaram várias entidades, que atribuem essas bolsas, para lhes pedirem que as cancelem porque os russos não partilham dos valores dos outros alunos europeus.

O estudante de direito admite que há 8 anos, desde a anexação da Crimeia, muitos estudantes ucranianos se recusavam a falar com instituições russas, diziam que odiavam a federação, mas essa atitude não abrangia a população. Agora com a invasão e com a falta de resposta por parte dos alunos russos esse ódio espalhou-se.

Antes de terminar a conversa, Vsevolod quis saber qual é a opinião dos portugueses em relação à invasão. Ficou satisfeito por saber da onda de solidariedade, garantiu que ia informar os colegas do apoio de Portugal porque isso é algo que dá alento aos ucranianos.

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