"A Venezuela não se pode habituar à ditadura"

Juan Guaidó foi agredido à chegada a Caracas. Tinha à sua espera um grupo de deputados oposicionistas, mas também dezenas de simpatizantes do regime e jornalistas.

O presidente do parlamento da Venezuela, o opositor Juan Guaidó, disse esta terça-feira que regressou ao seu país para "fazer o que seja necessário para conseguir o objetivo" de derrubar a "ditadura" do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Na Praça Bolívar de Chacao, Guaidó falou para centenas de simpatizantes. Estavam também representados os embaixadores dos países que o apoiam como Presidente da Venezuela.

Guidó afirmou que os ataques foram ações de "grupos ilegais, cúmplices do organismo de segurança do Estado". O autoproclamado Presidente da Venezuela lembra os acontecimentos de 15 de janeiro para afirmar que "a escalada de violência da ditadura é muito grave".

Juan Guaidó pediu o apoio de todos os venezuelanos, para que se lute contra a ditadura do Governo de Nicolás Maduro: "Vai depender de todos. O meu pedido não é apenas para os deputados, é para todos os estudantes, para os sindicatos, aos grémios, aos vizinhos. Hoje, mais do que nunca, temos de nos fazer ouvir em todos os locais. Hoje, mais do que nunca, a Venezuela não se pode habituar à ditadura", referiu.

O líder da oposição admite que não é possível pedir mais ao povo venezuelano, principalmente "aos que hoje não tem nada para comer, e estão a tentar sobreviver".

O presidente do parlamento da Venezuela explicou ainda que "os mecanismos de pressão contra a ditadura vão aumentar (...) por muito polémicos que sejam vão continuar a aumentar" e que "a ditadura deve entender" que a oposição não desistirá.

Juan Guaidó deixou ainda uma palavra à "imprensa livre da Venezuela", agradecendo o trabalho "em busca da verdade". Os simpatizantes do regime agrediram pelo menos sete jornalistas e obrigaram os profissionais da comunicação social a sair do aeroporto, aquando da chegada de Guaidó.

Agredido no regresso à Venezuela

Juan Guaidó chegou ao Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía (25 quilómetros a norte de Caracas), o principal do país, às 17h00 locais (21h00 em Lisboa) desta terça-feira, a bordo de um voo da transportadora TAP, e à chegada simpatizantes do regime agrediram-no na cara e rasgaram-lhe a camisa, perante a indiferença de agentes da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar).

O dirigente da oposição, que chegou a Caracas proveniente de um périplo iniciado a 19 de janeiro pela Colômbia, visitou posteriormente também a Inglaterra, Suíça, Espanha, Canadá, França e Estados Unidos, onde se reuniu com diferentes governantes e inclusive com o Presidente norte-americano Donald Trump, respetivamente.

À chegada, Guaidó tinha à sua espera um grupo de deputados oposicionistas mas também dezenas de simpatizantes do regime e jornalistas.

Apesar das agressões, e rodeado por 'chavistas', Juan Guaido, conseguiu entrar num jipe, enquanto a viatura era atingida com paus pelos adversários.

Pouco antes de aparecer ao público, Juan Guaidó informou, através da rede social Twitter que tinha chegado.

"Venezuela: já estamos em Caracas. Trago o compromisso do mundo livre, disposto a ajudar-nos a recuperar a democracia e a liberdade. Começa um novo momento que não admite retrocessos e que exige que todos façamos o que temos que fazer. Chegou a Hora. Tudo pela Venezuela", escreveu.

Numa outra mensagem dirigiu-se a "todas as forças políticas, a todos os setores da vida civil, a toda a família militar".

"A ditadura nunca esteve tão isolada. Hoje, mais do que nunca, será necessária unidade, confiança e disciplina política. Atentos a novos anúncios. Estamos de regresso", escreveu.

O tio desaparecido

Juan Guaidó revelou ainda que o seu tio Juan José Márquez desapareceu depois de ter sido intercetado pelas autoridades aduaneiras na chegada a Caracas.

O Centro Nacional de Comunicação (CNC) de Guaidó denunciou, na rede social Twitter, "o desaparecimento de Juan José Márquez", tio de Juan Guaidó, que acompanhava o opositor "no momento da chegada à Venezuela".

"Exigimos a sua libertação", acrescentou a equipa de Guaidó.

O CNC explicou que Juan José Márquez acompanhou Guaidó no regresso à Venezuela após 23 dias de uma deslocação internacional.

"Depois de passar pela migração normalmente e estar prestes a sair, Márquez foi detido por uma suposta revisão do Seniat [Serviço Nacional Integrado de Alfândega e Administração Tributária]", de acordo com a mesma mensagem.

"Aproveitando o caos no aeroporto causado pela violência da ditadura, eles mantiveram Márquez", indicou. O CNC afirmou não ter mais notícias sobre o paradeiro de Juan José Márquez.

A crise venezuelana agravou-se desde janeiro de 2019, quando o líder opositor e presidente do parlamento, Juan Guaidó, jurou publicamente assumir as funções de presidente interino da Venezuela até conseguir afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um governo de transição e eleições livres no país.

Os EUA foram o primeiro de mais de 50 países que manifestaram apoio a Juan Guaidó, entre eles Portugal, uma posição tomada no âmbito da União Europeia.

Notícia atualizada às 7h30

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