Juiz bloqueia mudanças nos Correios dos EUA por terem "motivações políticas"

Em causa está o voto por correspondência nas eleições de novembro.

Um juiz dos EUA bloqueou hoje as polémicas mudanças do Serviço Postal, que desaceleraram o correio em todo o país, considerando que são "um ataque com motivação política à eficiência" deste serviço em véspera das eleições de novembro.

O juiz Stanley Bastian, de Yakima, Washington, explicou estar a emitir uma liminar (uma ordem judicial provisória decorrente daquilo que se denomina na jurisprudência de 'perplexidade da lei') para todo o país, solicitada por 14 estados que processaram a administração do Presidente, Donald Trump, e os Correios dos EUA.

Os estados desafiaram a chamada política de "deixar correspondência para trás" do Serviço Postal, que implica que as carrinhas de distribuição saiam a horas das instalações dos Correios, haja ou não mais correspondência para carregar.

Além disso, os estados também querem forçar os Correios a tratar a correspondência eleitoral como prioritária.

A ação judicial apresentada exige que as alterações efetuadas no serviço de correio (USPS, na sigla inglesa) pelo diretor-geral, Louis DeJoy, nomeado em junho para o cargo por Donald Trump, fossem anuladas, por "serem ilegais".

A coligação responsável pela ação alega que a USPS, agência do Governo federal, começou a reduzir as operações sob a tutela de DeJoy, um dos principais doadores da campanha de Trump para as eleições presidenciais de 2016.

Essa opção, defendem os responsáveis pela ação, já está a dificultar o acesso dos idosos aos seus medicamentos, pensões e salários, e pode "prejudicar significativamente" a capacidade da USPS em lidar com o grande número de votos pelo correio esperado nas eleições de novembro, devido à pandemia de covid-19.

As ações de redução de operações, referem, incluem a eliminação de caixas de correio e de máquinas de classificação de correspondência, a redução das horas extras dos funcionários e a proibição de viagens adicionais e tardias que garantam a entrega da correspondência dentro do prazo e de forma consistente.

"Os estados demonstraram que os réus estão envolvidos num ataque com motivações políticas à eficiência dos Correios", disse hoje o juiz Stanley Bastian, acrescentando que as mudanças criaram "a possibilidade substancial de muitos eleitores serem privados de direitos".

O juiz adiantou que irá emitir uma ordem por escrito no final do dia (Washington está com menos cinco horas do que Lisboa), mas que será substancialmente a mesma que a pedida pelos estados.

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