Julgamento de Trump. Democratas recusam-se a chamar Hunter Biden

A ideia de intimar o filho do antigo vice-presidente começou a ganhar forma, esta quarta-feira. Hunter Biden seria chamado como resposta à intimação de antigos e atuais colaboradores de Donald Trump.

Os democratas afastaram totalmente a ideia de uma troca. A hipótese foi colocada à margem do julgamento a decorrer no Senado. Alguns aliados do Presidente responderam aos pedidos para ouvir o antigo conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, com o nome de Hunter Biden.

Durante a sessão desta quarta-feira, os senadores democratas começaram as alegações iniciais. Sem poderem chamar novas testemunhas, os democratas recorreram ao presidente para "provarem" que houve abuso de poder e obstrução aos trabalhos do congresso.

Donald Trump não estava na sala, nem estava no país, mas foram projetados vários vídeos com declarações dele. Numa das imagens, o Presidente dizia: "De acordo com o artigo II da Constituição, eu tenho o direito de fazer tudo o que quero enquanto for Presidente".

Adam Schiff, responsável pelo processo de destituição, foi ainda retirar do baú o vídeo de 2016 em que Trump falava diretamente com os russos: "Se estiverem a ouvir, procurem e divulguem os 30 mil emails de Hillary Clinton que desapareceram."

A utilização das imagens ajudou não só a quebrar a monotonia dos argumentos legais como colocou o presidente no centro da ação, retratando-o como o líder de um esquema para pressionar a Ucrânia em troca de um favor politico. Os vídeos ajudaram ainda a mostrar que a atuação de Donald Trump, junto do Presidente ucraniano, não foi um caso isolado.

Estará esta tática a resultar? A CNN garante que há poucos sinais de sucesso.

O senador de Dakota do Norte Kevin Cramer riu-se durante a divulgação das imagens de Trump. O senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, amigo e aliado político do Presidente, exibiu um grande sorriso quando Schiff mostrou o vídeo de Trump apelando à Rússia que encontrasse os emails desaparecidos. Já o senador John Cornyn, do Texas, disse ao canal de televisão que em causa neste julgamento não está se Trump agiu mal ou não.

Nas alegações iniciais, Schiff defendeu que um Presidente tem o direito de reter uma chamada de um líder estrangeiro, tem o direito de escolher o momento e o local para uma reunião, tem o poder de travar ajuda a um país terceiro, mas apenas por razões justas. De acordo com as leis e a Constituição americana, não pode usar o poder que lhe é conferido pelo cargo de Presidente para conseguir ser reeleito.

Numa conferência de imprensa antes de sair de Davos, na Suíça, o Presidente norte-americano defendeu que o julgamento lhe está a correr muito bem, que o lado dele tem todas as informações e que a acusação não tem. Trump disse ainda que gostava de estar a assistir aos trabalhos para ver os "corruptos" democratas em ação.

Durante o processo no Congresso, a Casa Branca recusou-se a entregar documentos considerados vitais pela acusação e bloqueou a audição de diversas testemunhas ligadas à administração.

Nesta quarta-feira, os senadores estiveram mais acordados do que na primeira sessão, mas saíram da sala de audiência mais vezes do que no primeiro dia. Muitos foram vistos a entrar na sala onde estão guardados os telemóveis. No hemiciclo está proibida a entrada de qualquer instrumento eletrónico, mas diversos senadores foram vistos a usar relógios da Apple.

A sonolência dos senadores pode ser explicada parcialmente pela proibição de tomar café ou bebidas energéticas dentro da sala. No Senado, só se pode beber água ou leite e foram diversos os representantes vistos a comer pequenos chocolates. A comida também está proibida, mas há uma mesa recheada de guloseimas que os senadores podem comer.

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