Junta militar de Myanmar acusa Suu Kyi de ter recebido subornos

Um porta-voz da junta militar afirmou que o ex-ministro responsável pela região de Rangum, agora na prisão, admitiu ter dado ao ex-chefe do governo civil dinheiro e ouro.

A junta militar que tomou o poder em Myanmar acusou esta quinta-feira a líder afastada, Aung San Suu Kyi, de corrupção, referindo que recebeu o equivalente a 500 mil euros e mais de 11 quilos de ouro em subornos.

Numa rara conferência de imprensa realizada em Naypyidaw, a capital administrativa de Myanmar (antiga Birmânia), um porta-voz da junta militar afirmou que o ex-ministro responsável pela região de Rangum, Phyo Min Thein, agora na prisão, admitiu ter dado ao ex-chefe do governo civil dinheiro e ouro sem especificar o que recebeu em troca.

"Soubemos que a própria Aung San Suu Kyi ficou com esses 600 mil dólares [cerca de 500 mil euros] e 11,2 quilos de ouro. A comissão anticorrupção lançou uma investigação", disse o porta-voz Zaw Min Tun.

Desde a sua detenção, Suu Kyi, de 75 anos, foi acusada de vários crimes e mantida incomunicável. A primeira acusação, feita em 3 de fevereiro, referia que Suu Kyi teriam importado ilegalmente um aparelho de rádio ao que foi acrescentada, 14 dias depois, a acusação de ter violado as regras impostas para combater os contágios por Covid-19.

No dia 1 de março, um tribunal acusou-a de violar o artigo 505º/b do Código Penal, que pune a publicação de mensagens que incitem "ao medo ou alarme" ou que alguém cometa um crime contra o Estado, sendo ainda acrescentada a acusação de violação da lei das telecomunicações.

As acusações podem resultar em vários anos de prisão para Suu Kyi, ex-conselheira de Estado e antiga ministra dos Negócios Estrangeiros de Myanmar.

A resposta brutal das forças de segurança contra os manifestantes que têm protestado contra o golpe militar de 1 de fevereiro provocou hoje pelo menos 10 mortos, no dia em que o Conselho de Segurança da ONU pediu o fim da violência no país e a libertação de Suu Kyi.

Mais de 70 pessoas já morreram na sequência da repressão das manifestações pacíficas contra o golpe militar e pelo menos 1689, incluindo políticos, estudantes e monges, foram detidos.

Apesar de a comunidade internacional ter condenado por unanimidade a violência e as detenções políticas, a junta militar liderada por Min Aung Hlaing continua a liderar pela repressão em Myanmar, que governou com mão de ferro entre 1962 e 2011.

Os militares justificam o golpe com uma alegada fraude nas eleições de novembro passado, que deram a vitória ao partido de Suu Kyi, apesar de a votação ter sido considerada legítima pelos observadores internacionais.

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