Justiça russa multa ativistas por manifestação de apoio a mulheres afegãs

A Rússia adotou até agora uma atitude bastante conciliatória em relação aos taliban, reconhecendo a vitória e apelando a um "diálogo nacional" para a formação de um governo representativo.

A justiça na Rússia anunciou ter condenado duas ativistas ao pagamento de multas por organizarem em Moscovo uma manifestação de apoio às mulheres afegãs, após a tomada do poder pelos taliban em Cabul.

As duas militantes, Artemi Pitiukov e Ksenia Bezdenejnykh, foram condenadas a uma multa de 200 mil rublos (2695 euros) cada uma por "perturbação da ordem pública", disse à agência France-Presse uma porta-voz do tribunal Presnenski de Moscovo.

A manifestação, sob a forma de "piquetes solitários" em que os ativistas se manifestam à vez segurando um cartaz, uma das últimas formas de protesto sem autorização ainda possíveis na Rússia, ocorreu na segunda-feira em frente à embaixada do Afeganistão e saldou-se pela prisão de seis pessoas, segundo a organização não-governamental OVD-Info.

Outros "piquetes solitários" realizaram-se em São Petersburgo (noroeste), a segunda cidade do país, sem que tivessem ocorrido detenções.

"No Afeganistão, ser mulher agora é mortalmente perigoso", podia ler-se no cartaz empunhado pelas ativistas, segundo imagens divulgadas nas redes sociais e pelos 'media'.

Os taliban entraram em Cabul no passado dia 15 e tomaram o palácio presidencial, no final de uma ofensiva iniciada em maio quando começou a retirada final das forças norte-americanas e da NATO.

O movimento extremista tem-se esforçado para mostrar uma imagem aberta e moderada, mas muitos temem que os taliban instaurem o mesmo tipo de regime fundamentalista e brutal que existiu quando ocuparam no poder no Afeganistão entre 1996 e 2001.

Sob o domínio taliban, as mulheres estavam impedidas de estudar, trabalhar e sair à rua sem 'guardião'.

As autoridades russas adotaram até agora uma atitude bastante conciliatória em relação aos taliban, reconhecendo a sua vitória e apelando a um "diálogo nacional" para a formação de um governo representativo.

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