Justiça suíça arquiva investigação a rei emérito espanhol Juan Carlos

Ministério Público não conseguiu "estabelecer uma relação suficiente" entre os valores recebidos pelo rei emérito e os contratos para a construção de um comboio de alta velocidade na Arábia Saudita.

Um tribunal de Genebra decidiu arquivar uma investigação aos bens do rei emérito espanhol Juan Carlos I na Suíça, incluindo uma doação de 100 mil dólares (89 mil euros) pela Arábia Saudita, indicaram hoje as autoridades judiciais helvéticas.

Num comunicado, e após três anos de investigação, o Ministério Público de Genebra afirmou que a investigação "não permitiu estabelecer uma relação suficiente entre o valor recebido de Riade e a celebração dos contratos para a construção do comboio de alta velocidade" entre Medina e Meca (Arábia Saudita), relacionado com o processo judicial aberto em 2018.

No auto, contudo, o Ministério Público reconheceu "um desejo de encobrimento" em torno da doação pela participação de uma fundação e de empresas intermediárias e pela falta de documentação adequada que justifique as transferências.

As autoridades judiciais do tribunal de Genebra também encontram essa intenção de "encobrimento" nas "sucessivas supostas doações", primeiro do rei saudita, Alman bin Abdulaziz Al Saud, a Juan Carlos I e, depois, do antigo monarca espanhol a favor da sua antiga amiga Corinna Larsen.

O processo ligado a Juan Carlos I, que reside desde agosto de 2020 nos Emirados Árabes Unidos, está também nas mãos do Ministério Público espanhol, que mantém abertas várias investigações.

A principal incide sobre a arrecadação de 65 milhões de euros em supostas comissões nas obras do comboio de alta velocidade Medina-Meca, em que um consórcio de empresas espanholas assumiu o controlo, montante que, em 2012, Juan Carlos terá doado a Corinna Larsen.

O Ministério Público espanhol também mantém uma investigação para determinar se Juan Carlos recebeu doações não declaradas e se escondeu fundos em paraísos fiscais.

Simultaneamente, o Tesouro espanhol está a analisar se as duas regularizações fiscais feitas por Juan Carlos estão em conformidade com a lei.

Este caso terá levado o atual rei de Espanha, Felipe VI, a anunciar em março de 2020 que renunciava a qualquer futura herança a que tenha direito do seu pai, o rei emérito, e também retirava a Juan Carlos I as ajudas de custo anuais que este recebia.

Juan Carlos, de 83 anos, tornou-se rei em novembro de 1975 e foi o chefe de Estado espanhol até à sua abdicação, a favor do filho, em junho de 2014.

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