Kiev acusa Hungria de "ajudar Putin" na guerra

"Ao ajudar Putin a continuar a sua agressão", a Hungria está "a destruir a unidade da UE", afirma o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano.

Kiev acusou esta quinta-feira a Hungria de "ajudar" a Rússia na guerra contra a Ucrânia, um dia depois de o primeiro-ministro húngaro se declarar disposto a comprar gás russo em rublos, ao contrário dos outros países da União Europeia.

"Budapeste passou à etapa seguinte: ajudar [o Presidente russo Vladimir] Putin a continuar a sua agressão contra a Ucrânia", criticou num comunicado o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Oleg Nikolenko, considerando que a Hungria está a "destruir a unidade da UE [União Europeia]" com esta posição.

O chefe do Governo húngaro, Viktor Orbán, declarou na quarta-feira que o país está disposto a pagar o gás russo em rublos se necessário, à revelia dos restantes países da UE, que recusaram este pedido de Moscovo.

"Não vemos problema no pagamento em rublos. Se for aquilo que os russos pretendem, pagaremos em rublos", declarou Orbán, numa conferência de imprensa em Budapeste.

Kiev analisa as declarações húngaras de que o país "está pronto para comprar gás russo em rublos como uma posição hostil" contra a Ucrânia, adiantou Nikolenko, considerando "cínica" a proposta húngara de organizar negociações de paz russo-ucranianas em Budapeste.

"Se a Hungria quer realmente acabar com a guerra, eis o que deve fazer: parar de destruir a unidade da UE, apoiar novas sanções contra a Rússia, ajudar militarmente a Ucrânia (...). E não criar fontes adicionais de financiamento para a máquina militar russa", disse ainda.

Nikolenko criticou também a "reticência dos dirigentes húngaros em reconhecer a responsabilidade da Rússia nas atrocidades do exército russo em Bucha, Irpin e Gostomel", onde várias centenas de cadáveres, aparentemente de civis, foram descobertos nos últimos dias.

Isso "poderá reforçar o sentimento de impunidade da Rússia e encorajá-la a cometer novas atrocidades", alertou.

A Rússia rejeitou "categoricamente" as acusações de quaisquer atrocidades, denunciando uma "encenação" ucraniana.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.563 civis, incluindo 130 crianças, e feriu 2.213, entre os quais 188 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,2 milhões para os países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945) e as Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

ACOMPANHE AQUI TUDO SOBRE A GUERRA NA UCRÂNIA

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de