Kiev espera que tropas russas abandonem a Bielorrússia após exercícios

Oleksii Reznikov, o ministro da Defesa ucraniano, diz ter "esperança que a permanência das tropas russas será temporária".

A Ucrânia espera que as tropas russas abandonem a Bielorrússia no fim dos exercícios militares conjuntos naquele país vizinho, que estão a ser acompanhados por Kiev, disse esta quinta-feira o ministro da Defesa ucraniano.

"Quero que as pessoas em Minsk nos ouçam dizer que temos esperança, que a permanência das tropas russas lá será temporária e que deixarão a Bielorrússia após os exercícios", disse Oleksii Reznikov, citado pela agência de notícias ucraniana Ukrinform.

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Jens Stoltenberg, manifestou-se preocupado por a Rússia ter enviado para a Bielorrússia o maior destacamento militar dos últimos 30 anos, que disse que poderá ascender a 30.000 efetivos.

"Nos últimos dias, assistimos a um movimento significativo de forças militares russas para a Bielorrússia. Este é o maior destacamento russo para lá desde a Guerra Fria", disse Stoltenberg em Bruxelas.

A Bielorrússia é um país aliado de Moscovo e tem uma fronteira comum com a Ucrânia e com a Rússia.

A Rússia e a Bielorrússia anunciaram a realização de exercícios militares conjuntos entre 10 e 20 de fevereiro, sob a designação "Allied Determination [Determinação Aliada] 2022".

Oleksii Reznikov disse que a Ucrânia não espera "quaisquer provocações" por parte da Bielorrússia.

Assegurou também que todas as forças de defesa e segurança ucranianas estão a acompanhar as movimentações bélicas do outro lado da fronteira e estão preparadas para qualquer alteração na situação.

"As nossas Forças Armadas, guardas de fronteira, a Guarda Nacional, a polícia, o Serviço de Segurança estão prontas. Estamos a acompanhar [a situação] nas cinco regiões limítrofes da amigável República da Bielorrússia. Estamos adaptados a qualquer mudança na situação", disse Reznikov.

O ministro da Defesa ucraniano disse também que a Ucrânia não planeia "levar a cabo quaisquer provocações" contra a Bielorrússia.

"Acreditamos que não existem motivos para inimizade e entendimento pouco amigável entre nós", acrescentou.

Apesar do tom amigável do ministro ucraniano, o Governo da Bielorrússia protestou esta quinta-feira contra um alegado voo ilegal de um 'drone' (avião não tripulado) da Ucrânia sobre território bielorrusso.

"Em 03 de fevereiro, o Ministério dos Negócios Estrangeiros convocou o embaixador ucraniano na Bielorrússia, Igor Kizim, para protestar contra o lançamento seletivo de um 'drone' da Ucrânia para a Bielorrússia", anunciou o serviço de imprensa do ministério, citado pela agência de notícias russa TASS.

O incidente ocorreu em 24 de janeiro, e o aparelho ucraniano foi forçado a aterrar, segundo as autoridades bielorrussas.

"De acordo com a análise dos dados do equipamento de bordo, foi confirmado que foi lançado da Ucrânia para realizar atividades de reconhecimento ilegais sobre o campo de treino de Brestsky", disse.

O Governo de Minsk comunicou a Kiev que "através destas medidas hostis, [a Ucrânia] está deliberadamente a alimentar uma escalada da situação na região, o que não contribui para um diálogo bilateral civilizado", segundo a declaração citada pela TASS.

A atual tensão na região do Leste da Europa foi desencadeada pelo destacamento de dezenas de milhares de tropas russas para junto das fronteiras da Ucrânia nos últimos meses.

A Ucrânia e os países ocidentais interpretaram essa concentração militar como um sinal de que a Rússia tenciona invadir novamente o país vizinho, depois de lhe ter anexado a península da Crimeia, em 2014.

A Rússia nega essa intenção, mas condiciona o desanuviamento da crise a exigências que diz serem necessárias para garantir a sua segurança, incluindo garantias de que a Ucrânia nunca será membro da NATO.

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