Kiev pede a investigadores que estudem o que abriu caminho a Bucha

O ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros refere que "durante muitos anos, as elites políticas russas e a propaganda incitaram ao ódio, desumanizaram os ucranianos e alimentaram a superioridade russa".

O ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, Dmytro Kuleba, apelou este domingo aos investigadores científicos para que estudem os efeitos da propaganda russa, considerando que esta abriu caminho para as atrocidades perpetradas pela Rússia durante a ocupação da cidade de Bucha.

"Bucha não aconteceu num dia. Durante muitos anos, as elites políticas russas e a propaganda incitaram ao ódio, desumanizaram os ucranianos e alimentaram a superioridade russa preparando o terreno para as atrocidades cometidas agora", escreveu Kuleba na sua conta na rede social Twitter.

"Apelo aos investigadores de todo o mundo para que analisem e examinem o que conduziu ao ocorrido em Bucha", frisou.

A Ucrânia e os países ocidentais acusaram as tropas russas de "massacres e crimes de guerra" na sequência da descoberta de dezenas de cadáveres nas ruas de Bucha, uma pequena cidade a noroeste de Kiev recuperada pelas tropas ucranianas em 31 de março.

Embora não se confinem a Bucha, esta pequena cidade tornou-se num símbolo das atrocidades de guerra perpetradas pelos russos depois de, no passado dia 02, jornalistas da agência France Presse se terem deparado com vinte cadáveres vestidos à civil, cujos corpos se encontravam espalhados ao longo de várias centenas de metros numa rua da cidade.

Um dos corpos encontrava-se deitado sobre uma bicicleta, outros tinham sacos de comida junto de si, e outro encontrava-se deitado de lado apresentando as mãos amarradas atrás das costas. Pelo menos dois dos cadáveres apresentavam grandes ferimentos na cabeça.

O massacre de Bucha causou indignação e condenação do mundo inteiro e levou os aliados de Kiev a imporem novas sanções à Rússia.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.626 civis, incluindo 132 crianças, e feriu 2.267, entre os quais 197 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,4 milhões para os países vizinhos.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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