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A informação é avançada pelo jornal sul coreano Chosun Ilbo, sempre bem informado com o que se passa a Norte. Depois da cimeira do Vietname, em fevereiro, o líder da Coreia do Norte ordenou a execução de um diplomata e 4 outros funcionários do ministério dos negócios estrangeiros responsáveis pelas negociações com os Estados Unidos.
Kim Hyok-Chol que foi expulso de Espanha em 2017, em plena crise dos mísseis, era atualmente o enviado especial de Pyongyang aos Estados Unidos. Ele e os outros funcionários encarregues dos trabalhos de preparação da cimeira e das negociações com Washington foram mortos numa grande purga em março.

Kim Hyok-Chol, antigo embaixador da Coreia do Norte em Espanha
© Reuters
O jornal adianta que as execuções foram ordenadas para desviar a atenção da agitação interna e do descontentamento, com um relatório da ONU que denunciou o facto de a população do país viver num ciclo vicioso de privação, corrupção e repressão. Kim Hyok Chol e os colegas terão sido acusados de espionagem para os EUA.
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Aparentemente ninguém escapou à "justiça" de Kim Jong-un. Um outro alto funcionário, Kim Yong Chol, responsável pelas conversas com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, foi enviado para um campo de trabalhos forçados e submetido a educação ideológica. Também a interprete na cimeira, Shin Hye Yong, foi punida por supostamente ter questionado a autoridade do líder e por ter cometido um erro de interpretação.
A própria irmã de Kim Jong-un não terá escapado à fúria do líder. Kim Yo Jong, que também esteve no Vietname, está a ser forçada a manter-se à margem da vida politica. Considerada o braço direito do irmão, Jong, terá perdido a confiança do dirigente.

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As noticias sobre esta nova onda de repressão surgem numa altura em que o único jornal da Coreia do Norte publicou um editorial em que avisa para os castigos a que serão submetidos os que apenas memorizam palavras de lealdade para com Kim Jong-un mas depois sonham com outras realidades.
"Esse é um ato contra o partido e antirrevolucionário que ignora a fidelidade moral para com o líder. As pessoas responsáveis não vão conseguir fugir a um severo julgamento da revolução. Há traidores e vira-casacas que só memorizam palavras de lealdade mas depois mudam de acordo com a tendência da época,"escreve o Rodong Sinmum.

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De recordar que Kim Hyok-Chol o diplomata executado em março foi o responsável pela autorização para que a TSF pudesse entrar na Coreia do Norte em 2016. O antigo embaixador em Espanha sempre se mostrou disponível para prestar esclarecimentos quando isso lhe foi solicitado. Apesar de ser o representante de um regime repressivo, Kim Hyok-Chol deu duas entrevistas à TSF, a ultima das quais em 2017 depois da Coreia do Norte ter realizado o maior teste nuclear. Foram duas entrevistas sem qualquer restrição imposta previamente.
