Lagarde no BCE é "compromisso" entre Alemanha e França

Investigador José Pedro Teixeira Fernandes identifica um acordo entre alemães e franceses para a liderança da instituição bancária europeia e lembra que os nomes indicados para os altos cargos europeus ainda têm de passar pelo crivo do Parlamento Europeu.

A proposta do nome de Christine Lagarde para a liderança do Banco Central Europeu representa, no entender do investigador do Instituto Português de Relações Internacionais e especialista em assuntos da União Europeia José Pedro Teixeira Fernandes, um "compromisso" entre Alemanha e França.

O investigador explica ainda que os nomes apresentados esta terça-feira representam um equilíbrio entre o peso das principais famílias politicas, tendo em conta os resultados das eleições de maio.

A solução encontrada procura "em parte, equilibrar as três forças políticas" mais votadas, em que os liberais aparecem como a terceira força e, por isso, "têm um peso" no nome indicado para a presidência do Conselho Europeu, o do primeiro-ministro do Governo de gestão belga, Charles Michel.

No caso específico do Banco Central Europeu, "a Alemanha tinha a ambição de ter um nome na frente do Banco Central Europeu" mas Lagarde é francesa e "conhecida pelo seu percurso internacional no FMI" - ainda assim, tem um perfil que "não desagrada" à Alemanha. Assim, entende José Pedro Teixeira Fernandes, houve um "entendimento" entre os países, sem esquecer a "lógica de igualdade de género".

Além destes dois nomes, o Conselho Europeu indicou a atual ministra alemã da Defesa, Ursula von der Leyen para presidir à Comissão Europeia e o atual ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, Josep Borrell para o cargo de Alto Representante para a Política Externa.

O professor de Ciência Política ressalva, no entanto, que o acordo alcançado esta terça-feira em Bruxelas não deve ser encarado como definitivo - algo para que António Costa já tinha alertado - sobretudo porque ainda tem de ser aprovado pelo Parlamento Europeu.

"Está fragmentado, está dividido e ainda há margem para uma eventual surpresa, ou na confirmação do nome indigitado para a Comissão Europeia, ou depois na Comissão enquanto conjunto", principalmente no que diz respeito aos comissários indicados.

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