Lava Jato realizou operações de busca na Suíça

Ministério Público Federal brasileiro explicou que os alvos foram endereços ligados às companhias Vitol e Trafigura, em Genebra.

Investigadores da Lava Jato anunciaram esta quinta-feira a execução de mandados de busca e apreensão em colaboração com autoridades da Suíça contra empresas do mercado de petróleo, suspeitas de corrupção no Brasil.

Em comunicado, o Ministério Público Federal (MPF) brasileiro explicou que os alvos foram endereços ligados às companhias Vitol e Trafigura, em Genebra, visitadas em operações realizadas na quarta-feira. As buscas tiveram o objetivo de "aprofundar as investigações conduzidas no Brasil de crimes de corrupção, branqueamento de capitais e organização criminosa que apontam para o envolvimento de integrantes da cúpula das duas empresas".

Os investigadores apontaram que há suspeita de desvios em operações da Vitol, entre 2004 e 2015, em negócios com a Petrobras, sobretudo operações de compra e venda de petróleo e derivados, em valor total superior a 14 mil milhões de dólares (12,6 mil milhões de euros).

A Trafigur também terá realizado operações suspeitas com a estatal brasileira, entre 2004 e 2015, em valor superior a 9 mil milhões de dólares (8,1 mil milhões de euros), também com foco em operações de compra e venda de petróleo e derivados.

Segundo as autoridades, documentos obtidos no Brasil, em acordos de colaboração premiada (quando suspeito confessa um crime e ajuda investigação em troca da redução da pena), e dados extraídos a partir do afastamento de sigilo telemático, bancário e fiscal, apontam para o envolvimento da Vitol e da Trafigura no pagamento de suborno para funcionários da Petrobras.

A contrapartida ao suborno terá sido a obtenção de facilidades na estatal brasileira, como preços mais vantajosos e contratos com maior frequência.

"Esses negócios diziam respeito à compra e venda (trading) no mercado internacional de óleos combustíveis (produtos utilizados para geração de energia térmica em fornos e caldeiras), gasóleo de vácuo (produto intermediário utilizado na produção de gasolina e diesel), bunker (combustível utilizado nos motores de navio), petróleo cru e asfalto", citou o comunicado do MPF.

Para o procurador da República Athayde Ribeiro Costa, integrante da Lava Jato em Curitiba, "as investigações indicam que esquemas de corrupção de valores milionários também se instalaram nos negócios relativos à área-fim da estatal, compreendendo atividades rotineiras, como a comercialização de petróleo e derivados".

O responsável concluiu que as buscas na Suíça para coleta de evidências devem contribuir "na responsabilização de integrantes da cúpula da Trafigura e da Vitol, de seus intermediários e de funcionários públicos lotados em diferentes gerências da área de comercialização da estatal" Petrobras.

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