Leopoldo Lopez quer criar uma Aliança de movimentos pró democracia

O ativista venezuelano participou num debate da Cimeira da Democracia, que está está a decorrer em Copenhaga. Afirmou estar otimista quanto ao futuro, mas é preciso coordenação e organização.

Leopoldo Lopez, que passou 7 anos nas cadeias de Nicolas Maduro, confessou que quando saiu da prisão (foi libertado por Juan Guaidó durante o golpe de estado falhado de 2019) ficou chocado com a falta de organização dos movimentos a favor da democracia e da liberdade. Os ativistas de lugares como Cuba, Nicarágua, Hong Kong, Bielorrússia e da China não falavam uns com os outros, mas isso tem de mudar. "A primeira coisa que temos de fazer é criar uma Aliança destes movimentos. Uma aliança onde possamos aprender uns com os outros, apoiarmo-nos, mas também para percebermos que estamos a meio de uma luta," afirmou Lopez.

O ativista diz que a invasão da Ucrânia mudou o cenário, de repente as pessoas aperceberam-se do risco colocado pelos autocratas e os que lutam pela liberdade devem aproveitar o momento para se fortalecerem. Isso passa por se organizarem e colaborarem como fazem os autocratas. "Nós na Venezuela temos vivido com as consequências de uma rede de autocracias. As poderosas potências que são as autocráticas China, Rússia, Irão, Turquia, Venezuela e Cuba, trabalham juntas. Articulam-se entre elas. Têm a capacidade de se apoiar umas às outras de muitas e diferentes maneiras. Financeira e militarmente, no uso de informações, em matérias diplomáticas. Também se apoiam mutuamente em termos de repressão, e na forma como tratam os presos políticos. Nós vimos isso. Não estamos a falar de teorias da conspiração, essa é a verdade," garantiu o ativista que vive exilado em Madrid.

Leopoldo Lopez contou que passou os últimos meses a conversar com outros ativistas e todos pensam a mesma coisa, mas não podem lutar sozinhos. O venezuelano explicou que precisam do apoio de organizações que já lutam há muitos anos para tentarem aumentar o número de democracias no mundo. Até ao final do ano ele quer organizar uma reunião com líderes de movimentos de países que vivem com regimes autocráticos para se poderem conhecer e traçarem um caminho comum.

Leopoldo Lopez quer também criar uma rede anti-cleptocracia porque, diz o líder da oposição venezuelana "as autocracias não são ideológicas, não são políticas, são cleptocráticas. Elas apoiam-se umas às outras porque fazem parte do mesmo ecossistema corrupto e há muitas provas disso. A oposição na Rússia tem feito um excelente trabalho a desmascarar Putin. Temos que fazer o mesmo na Bielorrússia, Venezuela, Nicarágua e noutros países."

O ativista pró democracia diz também que é essencial lutar contra a narrativa das notícias falsas. "Há um verdadeiro campo de batalha e todos os ativista se identificam com isso. Somos postos contra uma parede e eles disparam sem qualquer possibilidade de nos defendermos. Eles podem publicar três milhões de mensagens no Twitter, no Facebook e nós só temos capacidade para publicar mil ou mil e quinhentas."

Leopoldo Lopez comentou também o aumento da repressão transnacional. O venezuelano contou a história de uma amiga iraniana, exilada nos Estados Unidos e que foi avisada pelo FBI de que havia um plano para a raptar, levá-la para a Venezuela e depois para o Irão. Ele diz que todos sabem os riscos que correm, mas não podem ter medo desses regimes. Contou que nos 7 anos que esteve preso, 4 esteve em isolamento, e conseguiu ultrapassar a dificuldades porque sabia que estava no lado certo da história.

Lopez diz que está otimista mas as pessoas precisam de acreditar. Admite que os líderes autocratas têm conquistado terreno nos últimos anos, mas os povos querem liberdade, querem democracia, e acredita que é isso que vai acontecer.

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