Líder de seita cristã pede desculpa por casos de coronavírus

Os Governos municipais de Seul e Daegu denunciaram o grupo por impedir o trabalho das autoridades.

O fundador da seita cristã Shincheonji, considerada como o principal foco da propagação do novo coronavírus na Coreia do Sul, pediu desculpas e salientou o compromisso de cooperar com as autoridades.

"Como representante dos fiéis de Shincheonji peço sinceras desculpas ao público", indicou o fundador da seita, Lee Man-hee, depois de se ajoelhar, esta segunda-feira, diante dos jornalistas em conferência de imprensa convocada pelo grupo religioso em Gapyeong, cerca de 50 quilómetros a nordeste de Seul, capital sul-coreana.

"Não era nossa intenção e ainda assim muitas pessoas foram infetadas", disse Man-hee durante o ato, enquanto grupos gritavam palavras de ordem em protesto contra o culto, que acusam de ter capturado familiares e forçado a cortar todos os tipos de laços pessoais fora da seita.

Várias pessoas concentradas na entrada deste complexo que Shincheonji tem em Gapyeong também exigiram responsabilidades do grupo por serem o foco principal de propagação do novo coronavírus na Coreia do Sul - onde há registo de 4.335 infeções e 26 mortes - e por alegadamente não colaborar com as autoridades.

"Faremos o possível, oferecendo todos os nossos recursos, para apoiar as medidas do Governo para controlar a epidemia", acrescentou Lee, que aparentemente deu resultado negativo, após a realização do teste de despistagem do novo coronavírus, de acordo com a Shincheonji.

A conferência de imprensa ocorre depois dos Governos municipais de Seul e Daegu denunciarem o grupo por não fornecerem rapidamente às autoridades uma lista de todos os fiéis para serem colocados em quarentena e submetidos a testes.

O Governo obteve 310.000 nomes no total e realizou testes a mais de 293.000, enquanto cerca de 4.000 desses membros ainda não foram localizados.

Na sede de Daegu, cidade onde vivem 2,4 milhões de habitantes, várias missas foram realizadas no início de fevereiro, nas quais participou uma seguidora de 61 anos, que se acredita ter agido como um agente "super contagioso" e foi capaz de infetar dezenas de pessoas.

Desde que essa mulher deu resultado positivo no teste do coronavírus em 18 de fevereiro, o número de pessoas infetadas multiplicou-se por 144 na Coreia do Sul, o segundo lugar mais afetado pelo vírus depois da China, local de origem do coronavírus.

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