Líderes muçulmanos na China recusam acusações sobre abusos contra uigures

Organizações não-governamentais estimam que a China mantém detidos quase um milhão de membros da minoria étnica em campos de doutrinação política, em Xinjiang.

Os líderes muçulmanos de Xinjiang rejeitaram esta quinta-feira as alegações ocidentais de que a China está a suprimir a liberdade religiosa na região, durante uma receção para diplomatas e jornalistas estrangeiros, no final do mês do Ramadão.

O evento foi o mais recente de uma série de ações do Governo chinês para contrariar as acusações de abusos dos Direitos Humanos na região de Xinjiang, no extremo noroeste do país.

Isto aconteceu um dia depois de grupos de Defesa dos Direitos Humanos e países ocidentais se terem reunido para exigir acesso irrestrito de especialistas da ONU à região.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, condenou a China por "crimes contra a humanidade e genocídio dos uigures muçulmanos" durante o lançamento de um relatório anual sobre a liberdade religiosa internacional.

Os uigures são uma minoria étnica chinesa de origem muçulmana.

Organizações não-governamentais estimam que a China mantém detidos cerca de um milhão de membros daquela minoria étnica em campos de doutrinação política, em Xinjiang.

O Governo chinês é ainda acusado de sistematicamente reduzir as taxas de natalidade dos uigures através de esterilizações, abortos e dispositivos intrauterinos, multando e detendo pessoas com três ou mais filhos.

A campanha surgiu após uma série de ataques terroristas com bombas e facas, perpetuados por separatistas uigures.

Ecoando a linha do Governo, o presidente da Associação Islâmica de Xinjiang disse que a China erradicou o terreno fértil para o extremismo, ao melhorar os meios de subsistência, ensinar a população sobre a lei e criar centros de treino vocacional.

Abdureqip Tomurniyaz, que dirige a associação e a escola de estudos islâmicos em Xinjiang, acusou as forças anti-China nos EUA e em outras nações ocidentais de espalharem boatos e mentiras.

"Eles querem sabotar a harmonia e a estabilidade em Xinjiang, conter a ascensão da China e alienar as relações entre a China e os países islâmicos", acusou.

Acusou também os EUA de ignorarem as suas próprias violações dos Direitos Humanos, citando os conflitos no Iraque, Afeganistão e outros países muçulmanos.

Líderes religiosos de cinco mesquitas falaram na apresentação de 90 minutos - três pessoalmente e dois por vídeo.

Mamat Juma, o imã da histórica mesquita Id Kah, na cidade de Kashgar, disse que todos os grupos étnicos em Xinjiang apoiam as medidas tomadas para combater o terrorismo.

Juma disse que as pessoas estão gratas ao Partido Comunista por restaurar a estabilidade e promover o crescimento económico.

Em conferência de imprensa, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Hua Chunying, disse que a reunião de quarta-feira foi baseada em "mentiras e preconceitos políticos" e acusou as nações participantes de ignorarem as suas próprias histórias de preconceito e racismo.

"A conferência esteve cheia de mentiras monstruosas e desinformação e foi outro desempenho desajeitado e farsa política direta dos Estados Unidos e de alguns outros países", disse Hua.

Hua disse que a China não está a negar o acesso irrestrito a Xinjiang para o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos porque há algo a esconder, mas devido à probabilidade de qualquer relatório resultante ser distorcido.

"A China dá as boas-vindas a todas as pessoas imparciais, de todos os países, para visitar Xinjiang, mas opõe-se firmemente às chamadas investigações que são baseadas em rumores, mentiras e presunção de culpa", disse Hua.

Antes da reunião, a missão da China na ONU enviou notas a muitos dos 193 países membros da organização a instá-los a não participarem no "evento anti-China".

Durante a reunião, a embaixadora britânica na ONU, Barbara Woodward, considerou a situação em Xinjiang "uma das piores crises de Direitos Humanos do nosso tempo".

"As evidências, de um número crescente de fontes confiáveis - incluindo imagens de satélite, testemunhos de sobreviventes e documentos públicos do Governo chinês - são de grande preocupação", disse Woodward, que anteriormente foi embaixadora do Reino Unido na China.

"As evidências apontam para um programa de repressão de grupos étnicos específicos. Expressões de religião foram criminalizadas e a língua e a cultura uigur são discriminadas sistematicamente e em grande escala", apontou.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de