Líderes religiosos assinam declaração contra o terrorismo em Moçambique

A declaração pretende mostrar ao mundo que as religiões em Cabo Delgado "estão unidas", querem a paz e vão trabalhar "como parte da solução e não do problema".

Sete líderes religiosos católicos e muçulmanos da província de Cabo Delgado assinaram uma declaração com o objetivo de trabalharem unidos na luta contra o extremismo no norte de Moçambique.

"Temos um plano que será divulgado até fevereiro com atividades conjuntas, oração, sensibilização, trabalho com membros da igreja, sociedade e encontros com os governos para a manutenção da paz", disse esta terça-feira à Lusa Antônio Juliasse, administrador apostólico em Pemba, Cabo Delgado.

A declaração pretende também dissipar equívocos e mostrar ao mundo que as religiões em Cabo Delgado "estão unidas", defendem a paz e vão trabalhar "como parte da solução e não do problema".

"É uma afirmação clara", sublinhou Juliasse.

A declaração inter-religiosa de Pemba, com 15 alíneas, prevê atividades até dezembro de 2022.

O administrador apostólico acrescentou que as religiões estão abertas a acolher os que decidirem abandonar a violência e juntarem-se às famílias, mas tudo está dependente do Governo.

Os líderes religiosos estão disponíveis para "colaborar com o Governo, primeiro no acolhimento e na reabilitação dos jovens que decidirem abandonar a violência e voltarem a integrar-se na sociedade".

"Estamos abertos, achamos que podemos ser úteis nisso, mas é preciso que se faça um processo em conjunto" com as autoridades, abrindo a possibilidade "aos que estão nas matas". "Estamos disponíveis e temos meios para isso" concluiu.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.

Desde julho, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu recuperar várias zonas, mas o conflito alastrou em novembro para a província vizinha do Niassa.

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