Londres convoca embaixador russo pela morte de britânico

Britânico foi capturado "enquanto realizava trabalho humanitário".

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido convocou o embaixador russo em Londres para manifestar a "profunda preocupação" do governo com as informações que relatam a morte do britânico Paul Urey no território ucraniano controlado pela Rússia.

"Estou chocada por ouvir relatos da morte do trabalhador humanitário Paul Urey enquanto estava detido por aliados russos na Ucrânia. A Rússia deve assumir total responsabilidade por isso", destacou esta sexta-feira a ministra dos Negócios Estrangeiros, Liz Truss, em comunicado.

Para a responsável pela diplomacia britânica, Paul Urey foi capturado "enquanto realizava trabalho humanitário", já que está na Ucrânia para "ajudar as pessoas diante da invasão russa".

"O governo russo e seus aliados continuam a cometer atrocidades, e os responsáveis serão levados à justiça. Os meus pensamentos estão com a família e amigos de Urey neste momento horrível", acrescentou.

O britânico Paul Urey, que foi capturado e detido como mercenário em abril por forças pró-Rússia no leste da Ucrânia, morreu em 10 de julho, anunciaram esta sexta-feira as autoridades separatistas.

A Legião internacional de defesa da Ucrânia, que agrupa combatentes voluntários estrangeiros, esclareceu que Urey era um "trabalhador humanitário".

Com a convocatória, o governo britânico pretende alertar o embaixador russo em Londres, Andrey Kelin, que a Rússia "deve cumprir suas obrigações sob o direito internacional humanitário, incluindo respeitar e proteger todos os civis".

Além disso, também procurará realçar que responsabiliza Moscovo pela segurança de civis nas regiões de Donetsk e Lugansk, controladas por separatistas pró-Rússia e que o Reino Unido não reconhece como independente.

Urey, capturado em abril por forças pró-russas no leste da Ucrânia e acusado de ter lutado como mercenário em Donbads, morreu no domingo numa prisão na autoproclamada República Popular de Donetsk, divulgou esta sexta-feira a responsável pelos direitos dos separatistas na região de Donetsk, Daria Morozova.

Daria Morozova afirmou que Paul Urey era um mercenário e não um trabalhador humanitário, como argumentam a sua familia e empregador.

Uma organização sem fins lucrativos com sede no Reino Unido, Presidium Network, anunciou em 29 de abril que dois trabalhadores humanitários, Paul Urey e Dylan Healy, haviam sido capturados pelo Exército russo.

A mãe de Urey indicou que o seu filho estava numa missão humanitária, que sofria de diabetes e precisava de insulina.

Natural de Manchester, no norte da Inglaterra, Paul Urey é apresentado pela Presidium Network como um homem de família que não serviu no Exército mas passou oito anos no Afeganistão como empresário, enquanto Dylan Healy trabalhou numa cadeia de hotéis no Reino Unido.

Morozova disse hoje na sua publicação que as autoridades britânicas sabiam que Urey estava detido pelas forças armadas de Donetsk, mas que não fizeram nada pelo cidadão do Reino Unido.

Daria Morozova acusa Urey de ter "dirigido operações militares, recrutado e treinado mercenários para bandos armados ucranianos".

Segundo a responsável separatista, Urey sofria de diabetes, problemas renais, respiratórios e cardíacos, além de sofrimento psíquico.

O mesmo território separatista de Donetsk, cuja independência Moscovo reconheceu pouco antes de seu ataque de 24 de fevereiro à Ucrânia, condenou dois outros britânicos e um marroquino à pena de morte por serem mercenários.

No Telegram, Morozova não disse nada sobre Dylan Healy, que foi capturado junto com Paul Urey, de acordo com a Presidium Network.

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