Lufthansa vai cortar mil postos administrativos e 20% dos cargos de gestão

A Lufthansa considera que tem um excesso de 22 mil funcionários devido à crise.

A companhia aérea Lufthansa anunciou esta terça-feira que vai cortar mil postos de trabalho administrativos e reduzir em 20% os cargos de gestão em todo o grupo, após a aprovação do resgate pelo Estado alemão.

De acordo com a agência de notícias espanhola EFE, a Lufthansa informou que, após a aprovação dos acionistas ao resgate financeiro e à ajuda dos governos austríaco e suíço, "o financiamento do grupo é garantido".

Porém, é necessária uma redução de custos, uma vez que o reembolso do crédito e dos juros a Estado vai pesar sobre os resultados da empresa nos próximos anos.

Depois de já ter reduzido o número de membros do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da Deutsche Lufthansa, o grupo agora vai ter de reduzir também a administração das subsidiárias Lufthansa Cargo, LSG e Lufthansa Aviation Training, para apenas um cargo.

A Lufthansa considera que tem um excesso de 22 mil funcionários em período integral devido à crise, mas diz querer evitar despedimentos forçados.

Assim, a transportadora aérea adiantou que está a negociar com o sindicato do setor de serviços Verdi, bem como com o sindicato dos pilotos Cockpit, sobre medidas de poupança, depois de ter alcançado um acordo com os comissários de bordo.

Em 24 de junho, a Lufthansa e o sindicato UFO alcançaram um acordo que permite uma poupança de 500 milhões de euros ao grupo de aviação, que atravessa uma grave crise causada pela pandemia de Covid-19.

Concluído em vésperas de uma votação decisiva dos acionistas sobre o plano de resgate público de nove mil milhões de euros, o acordo tem ainda de ser aprovado em plenário pelos membros do sindicato, que representa os trabalhadores das tripulações de cabine da Lufthansa.

A proposta prevê congelamento de remunerações, reformas antecipadas e períodos de trabalho reduzidos, afirmaram as duas partes numa declaração conjunta.

"Queremos evitar despedimentos cegos", afirmou o diretor de Recursos Humanos da transportadora aérea, Michael Niggemann, citado na declaração.

Apoio do Estado não é suficiente para cobrir custos

De acordo com este responsável, o acordo é um "sinal importante" antes da assembleia-geral extraordinária que vai votar a entrada do Governo federal alemão no capital da empresa.

A Lufthansa advertiu, no entanto, que, mesmo com esta ajuda, a quebra na procura de transporte aéreo, que se estima venha a fazer-se sentir durante vários anos, poderá forçar o corte de milhares de postos de trabalho.

O porta-voz do UFO, Nicoley Baublies, considerou, por seu lado, que o plano acordado deverá salvar os postos de trabalho de 22 mil tripulantes aéreos.

"Traz a segurança de emprego urgentemente necessária", afirmou.

A Lufthansa e o Governo alemão chegaram a acordo sobre um plano de ajuda de nove mil milhões de euros, com o Estado a tornar-se o primeiro acionista do grupo com 20% do capital.

O Estado, que regressa ao capital da companhia aérea após 20 anos de ausência, aprovou o plano através de um fundo de estabilidade económica do Governo federal (WSF), criado para atenuar as consequências da pandemia de Covid-19.

O acordo foi anunciado após longas negociações sobre a ajuda, que se destina a evitar a falência da transportadora, numa altura em que o setor aeronáutico atravessa uma grave crise.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 538 mil mortos e infetou mais de 11,64 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal morreram 1629 pessoas das 44.416 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

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