Luis Arce assume vitória nas eleições da Bolívia e diz que democracia voltou ao país

Sondagem à boca das urnas indica que o 'delfim' do ex-líder socialista Evo Morales ganhou as eleições para a presidência à primeira volta.

O candidato do Movimento para o Socialismo (MAS) defendeu esta segunda-feira que a Bolívia "voltou à democracia", depois de uma sondagem à boca das urnas indicar que ganhou as eleições para a presidência à primeira volta.

A Bolívia "voltou à democracia (...) Vamos trabalhar por todos os bolivianos, vamos constituir um Governo de unidade nacional", declarou numa conferência de imprensa Luis Arce, 'delfim' do ex-líder socialista Evo Morales.

Perante os jornalistas, em La Paz, Luis Arce falou dos seus planos para liderar o país, enquanto a contagem de votos mal ultrapassava os 5%.

Arce manifestou a sua vontade de responder às expectativas dos eleitores.

Já a partir de Buenos Aires, o ex-Presidente da Bolívia Evo Morales garantiu que o seu partido, o MAS, ganhou as eleições e que Luis Arce será o novo Presidente.

"Assinalam-me que houve uma vitória do Movimento Ao Socialismo, do irmão Lucho [Luis Arce] Presidente e o irmão David [David Choquehuanca] vice-Presidente. Além disso, o MAS terá maioria nas duas câmaras da Assembleia Legislativa. Irmãos da Bolívia e do mundo, Lucho será o nosso Presidente", assegurou Evo Morales.

Apesar da falta de dados oficiais suficientes, Evo Morales deu os "parabéns" aos vencedores e garantiu que este foi um "dia histórico", no qual "a democracia foi recuperada".

"Hoje recuperamos a democracia. Recuperamos a pátria. Recuperaremos a estabilidade e o progresso. Recuperaremos a paz. Devolveremos a liberdade e a dignidade ao povo boliviano", afirmou.

O ex-chefe de Estado também apelou aos diversos líderes a envolverem-se num grande acordo nacional para tirar o país da crise.

"Devemos deixar de lado as diferenças, os interesses setoriais e regionais para conseguirmos um grande acordo nacional com partidos políticos, empresários, trabalhadores e o Estado. Juntos construiremos um país sem rancores e que nunca recorra à vingança", disse Morales.

Por sua vez, a Presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, publicou na rede social Twitter que ainda não existe uma contagem oficial, mas que, com base nos dados disponíveis, Arce e Choquehuanca venceram as eleições.

"Parabenizo os vencedores e peço-lhes que governem tendo a Bolívia e a democracia em mente", escreveu a Presidente interina.

A empresa de sondagens Ciesmori, que fez uma projeção para as redes de televisão Unitel e Bolivision, dá 52,4% dos votos ao candidato presidencial do MAS.

No segundo lugar aparece Carlos Mesa da Comunidade Cidadã com 31,5%.

Os resultados desta sondagem diferem daquelas feitas antes de domingo e que apontavam para uma segunda volta a disputar entre Arce e Mesa.

O órgão eleitoral, o Governo interino da Bolívia e as missões internacionais de observadores pediram calma enquanto se aguarda o resultado oficial, que pode levar vários dias.

A Bolívia realizou eleições no domingo para eleger Presidente, vice-presidente, deputados e senadores para os próximos cinco anos.

Pela primeira vez desde 1989, Morales não participou num processo eleitoral na Bolívia, quando se apresentou na corrida às funções de deputado, não tendo então sido eleito.

Morales vive na Argentina desde que renunciou à Presidência em novembro de 2019, depois de denunciar a existência de um golpe de Estado.

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