"Lula da Silva muda a correlação de forças se sair da prisão"

Dilma Rousseff acredita que o antigo Presidente brasileiro representa a "luta pela democracia no Brasil".

A antiga Presidente do Brasil Dilma Rousseff defendeu na capital francesa que Lula da Silva está na prisão porque representa "a luta pela democracia" e por mostrar que é possível outro país para além de Jair Bolsonaro.

"Lula está na prisão porque Lula muda a correlação de forças se sair da prisão. O Lula representa a luta pela democracia no Brasil e, ao mesmo tempo, que um outro Brasil e um outro Governo é possível", afirmou Dilma Rousseff, garantido que Lula é "inocente" e "insubstituível" no combate pela democracia no Brasil.

A antiga governante brasileira foi a convidada de honra desta noite da Fête de L'Humanité, uma festa organizada pelo Partido Comunista francês e que recebe anualmente mais de 600 mil pessoas, onde promoveu o movimento "Lula Livre", que visa pressionar as autoridades brasileiras a libertar Lula da Silva, que está a cumprir uma pena de prisão por corrupção.

Este movimento tem vindo a ganhar apoiantes em França entre intelectuais de esquerda, dirigentes políticos e muitos brasileiros que se instalaram em França depois da vitória de Jair Bolsonaro.

Dilma Rousseff considerou que o atual Presidente brasileiro tem levado a cabo "agressões amplas" nas mais diversas áreas. "Ele defende de forma muito clara o ódio e a violência, uma ameaça à Constituição [...] Todas estas agressões refletem o seu imenso desprezo pelo debate e pela opinião diferente", referiu a ex-ocupante do Palácio do Planalto.

Entre as agressões enumeradas por Dilma, está a privatização das universidades federais e de empresas nacionais estratégicas como a Petrobras, mas também os problemas na Amazónia.

"O Brasil possui a maior floresta tropical do mundo, que é a Amazónia, e ao longo de várias décadas e em especial nos anos do PT [Partido Trabalhista], nós considerámos que a ideia de nação brasileira é uma ideia intimamente ligada ao meio ambiente e à Amazónia. Só se impede o desflorestamento com ações muito claras que mostrem o empenho do Governo", indicou a antiga Presidente.

Quanto à operação Lava Jato, processo que levou à prisão de Lula da Silva em abril de 2018, Rousseff defende que a investigação se transformou num instrumento político. "A Lava Jato foi um dos principais instrumentos que, aparentemente, era para ser de combate à corrupção, mas, na verdade, que se constituiu na principal ferramenta de justiça para destruir qualquer candidato de esquerda que pudesse aparecer", argumentou.

Sobre o seu próprio 'impeachment', em 2016, a antiga Presidente afirmou que esse foi o segundo golpe que viveu na sua vida política, depois do golpe militar, e que o objetivo principal foi de abrir caminho ao neoliberalismo no Brasil, com a conivência dos Estados Unidos.

"Eu sempre digo que o golpe de Estado que me tirou do Governo em 2016 tinha um objetivo que era enquadrar do ponto de vista económico e social, mas também geopoliticamente, o Brasil no neoliberalismo", disse a antiga, governante lembrando que durante o seu mandato, o Brasil não se "atrelava" a países desenvolvidos, especialmente os Estados Unidos, comentando a ligação entre Bolsonaro e o Presidente norte-americano, Donald Trump.

Dilma Rousseff deixou uma mensagem de esperança à sala que se encheu para a ouvir e parou várias vezes para a aplaudir, com um aviso: "Eu acredito que temos um processo de médio ou longo prazo para reverter o desastre que se produziu no Brasil, mas o neofascismo e o neoliberalismo são irmãos siameses. Por isso, é importante uma frente democrática", disse a antiga governante pedindo "solidariedade" a todos os presentes.

A antiga Presidente vai ficar mais alguns dias em Paris, tendo agendada uma conferência na Sorbonne e encontros com pessoas de destaque na esquerda francesa como o antigo Presidente francês François Hollande, Anne Hilgado, presidente da Câmara de Paris, e Jean-Luc Melenchon, líder do partido La France Insoumise.

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