Luso-venezuelanos desafiam pandemia para manifestar devoção a Fátima

Além dos portugueses, as diferentes comunidades de imigrantes, como espanhóis, italianos, libaneses e árabes, têm apoiado a construção local da réplica do Santuário de Fátima, em Portugal.

Três centenas de luso-venezuelanos participaram no domingo num almoço de recolha de fundos para o Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Carrizal, a 25 km a sul de Caracas.

Trata-se da primeira atividade pública local, desde o início da pandemia da Covid-19 na Venezuela, em março de 2020, impedindo a realização de atividades para recolher recursos económicos e atrasando a execução das obras do santuário.

"O nosso último evento foi em fevereiro de 2020. Começou a pandemia tudo ficou restringido, limitado. Estamos a retomar as atividades sob medidas de biossegurança. A ideia do almoço é continuar a recolher fundos para dar um impulso às obras", disse à Lusa Agostinho Gonçalves da Câmara, da Associação Civil Amigos de Nossa Senhora de Fátima.

Apesar das restrições, "as obras não se detiveram", mas para avançar são necessários mais recursos económicos.

"Desde a chegada da pandemia, temos contado com contribuições de alguns empresários da zona. Chegaram dois contentores com mármore vindos de pedreiras de Fátima, doados pelo Santuário de Fátima em Portugal, e com a ajuda deles, foi possível pagar o transporte, a mão-de-obra, o revestimento de algumas paredes, os balastros, o altar, a pia batismal", disse.

Além dos portugueses, as diferentes comunidades de imigrantes, como espanhóis, italianos, libaneses e árabes, têm apoiado a construção local da réplica do Santuário de Fátima, em Portugal, acrescentou.

"O mármore do chão e alguns vitrais foram doados por empresários libaneses", disse, precisando que alguns dos ingredientes servidos no almoço, foram oferecidos por italianos e outros imigrantes locais.

Sobre o Santuário, que começou a ser construído a 3 de julho de 2008, Agostinho da Câmara indicou não ser possível "avançar com a data de inauguração", apesar de a obra já estar construída "em quase 90%", por não existir "um orçamento atribuído", tudo depende dos recursos que vão conseguindo.

"A situação no país levou muita gente que colaborava connosco a emigrar", lamentou.

O Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Lomas de Urquía, no município de Carrizal, conta com 23 mil metros quadrados de construção e o investimento atual ronda os 8,5 milhões de dólares (7,33 milhões de euros)

Estimado inicialmente em mais de 8,6 milhões de euros, o Santuário de Nossa Senhora de Fátima está ser construído pela Associação Amigos de Nossa Senhora de Fátima de Los Altos Mirandinos, organização gerida por um grupo de portugueses.

O projeto envolve a construção de quatro níveis de estacionamento, para 312 viaturas, uma área pública na qual vai funcionar uma escola de língua portuguesa, escritórios de organizações não-governamentais, casa paroquial e salões para festas de casamento e batizados.

No centro está edificado o santuário, com uma área de 3600 metros quadrados e capacidade para mais de 600 pessoas, com uma fachada inspirada no Santuário de Fátima original.

Desde março de 2020 que a Venezuela está em quarentena preventiva da Covid-19 e atualmente tem um sistema de sete dias de flexibilização, seguidos de sete dias de confinamento rigoroso.

O país contabilizou 4707 mortes e 391.413 casos de Covid-19, desde o início da pandemia, de acordo com dados oficiais.

A Covid-19 provocou pelo menos 4.891.684 mortes em todo o mundo, entre mais de 240 milhões de infeções pelo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

Em Portugal, desde março de 2020, morreram 18.097 pessoas e foram contabilizados 1.079.806 casos de infeção, segundo dados da Direção-Geral da Saúde.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em vários países.

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