Macau: Eanes, Cavaco e Adriano Moreira falam das relações entre Portugal e China

No 20.º aniversário da transferência da administração de Macau, os dois ex-Presidentes da República e o antigo presidente do CDS falam das relações entre os dois países.

Depois de mais de 400 anos sob administração portuguesa, Macau passou a ser uma Região Administrativa Especial da China a 20 de dezembro de 1999, com um elevado grau de autonomia por um período de 50 anos. Na semana em que se comemoram os 20 anos da transferência, Ramalho Eanes, Cavaco Silva e Adriano Moreira recordam o momento histórico e falam das relações entre Portugal e a China.

Ramalho Eanes foi o primeiro Presidente a visitar a China depois do reatamento das relações diplomáticas em 1979. Foi nessa altura que a questão de Macau começou a ser discutida. Para o antigo Presidente da República houve muita coisa que entretanto mudou.

"A China era naquela altura um grande país. Hoje, como se sabe, a China continua a ser um grande país e é uma potência mundial de primeira classe. Portugal sofreu um grande desenvolvimento em todos os setores e hoje é um país também diferente", explicou Ramalho Eanes à TDM Rádio Macau.

Apesar de ter sido o Presidente da República português que deu o passo para a transferência de Macau, Ramalho Eanes não dá grande importância a esse facto.

"Devo confessar que nunca pensei nisso e devo acrescentar que isso não me interessa. Aquilo que interessa e se tem de refletir é se, em relação à China, tomei as atitudes corretas tendo em consideração aquilo que são os grandes interesses do país", afirmou o ex-Presidente da República.

Questionado sobre se, 20 anos depois, considera que foi uma boa solução, Eanes não tem grandes dúvidas.

"Se me pergunta sobre a solução, digo-lhe que no essencial foi uma boa solução, mas não posso deixar de lhe dizer que foi uma solução evitável. Poderia, formalmente, ser desta ou daquela maneira mas, na sua essência, não podia ter sido diferente", respondeu Ramalho Eanes.

Aníbal Cavaco Silva, por sua vez, foi o primeiro-ministro que assinou a Declaração Conjunta em 1987, que levaria à transição 12 anos depois. Mais tarde, como Presidente da República, visitou várias vezes o território e relaciona o momento atual das relações Portugal-China com a declaração por ele assinada com o governo de Pequim.

"As relações hoje são muito intensas e devem-se, acima de tudo, à forma amistosa e de respeito mútuo como decorreram as negociações para a transferência da administração de Macau para a China. São intensas no domínio político, económico, cultural e científico", disse Cavaco Silva.

Na altura, o antigo primeiro-ministro e Presidente afirmou que "há momentos em que temos consciência de que estamos a escrever uma página da história". Uma citação que repetiria caso o momento voltasse a acontecer.

"Tenho noção. Acredito que foi um momento histórico e que dei um contributo importante, tal como todo o meu Governo", sublinhou o antigo Presidente da República.

Por fim, Adriano Moreira, antigo presidente do CDS, ressalvou as relações muito especiais que sempre existiram entre Portugal e a China.

"Talvez possa servir de premissa lembrar que o Mao Tsé-Tung escreveu que Portugal foi o único país ocidental que nunca fez guerra à China. Não quer dizer que não tenham havido alguns incidentes mais relacionados com a segurança pública, mas realmente é uma situação que talvez não tenha igual em relação a qualquer outra soberania", acrescentou Adriano Moreira.

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