Macron anuncia desconfinamento total em França e plano para a economia

Restaurantes e bares podem abrir já a partir desta segunda-feira. O Presidente francês lembra no entanto que o vírus ainda circula pelo que as aglomerações de pessoas vão continuar a ser controladas.

Emmanuel Macron dirigiu-se aos franceses este domingo, dia 14 de junho, três meses depois do início do confinamento obrigatório. O Presidente francês anunciou a abertura integral de creches, escolas e colégios, mas também a reabertura de fronteiras e prometeu abrir uma nova página para a França.

O presidente francês anunciou que a partir desta segunda-feira, dia 15 de junho, o território francês vai passar a «verde», com exceção de Mayotte e Guiana, onde o vírus continua a ter uma forte propagação.

A partir de amanhã vai ser possível viajar entre países europeus e a partir de dia 1 de julho para países fora da Europa, mas apenas «onde a epidemia esteja controlada», acrescentou o chefe de Estado.

A reabertura integral das creches, escolas e colégios está marcada para o próximo dia 22 de Junho, anunciou Emmanuel Macron, acrescentando que «devemos continuar a evitar o máximo possível ajuntamentos, por serem as principais oportunidades para a propagação do vírus».

As visitas em lares ou instituições «passam agora a ser autorizadas», acrescentou, e as eleições municipais vão manter-se para o próximo dia 28 de junho.

Emmanuel Macron anunciou «uma primeira vitória contra o vírus» e alertou que vai ser necessário respeitar «por muito tempo ainda» as regras de distanciamento social, apesar do retomar da vida económica, « não significa que o vírus desapareceu e que podemos baixar a guarda».

A evolução da epidemia vai ser atentamente controlada pelo Governo francês durante o verão de 2020 que «não se assemelhará a nenhum outro», garantiu o chefe de Estado, lembrado que o controlo serve «para que nos preparemos, caso a epidemia volte com mais força. A luta contra a epidemia ainda não acabou».

No seu discurso, Emmanuel Macron descartou a possibilidade do aumento de impostos para financiar a recuperação económica. «A nossa primeira prioridade é reconstruir uma economia forte, ecológica, soberana e unida", afirmou o chefe de Estado, que mobilizou no total «quase 500 mil milhões de euros para a nossa economia, para trabalhadores, para empreendedores, mas também para os mais precários», propondo a construção de «um modelo económico sustentável mais forte, trabalhar e produzir mais para não depender de outros».

Emmanuel Macron prometeu «aprender com as lições do que estamos a viver», assumindo que «esta prova também revelou falhas e fraquezas, nomeadamente, a dependência noutros continentes para obter determinados produtos, o peso da nossa organização, as nossas desigualdades sociais e territoriais.

"Quero que aprendamos todas as lições do que vivemos», disse, garantido que «as nossas fraquezas, vamos corrigi-las rapidamente», apelando a uma forma de reconstrução que se deve « social e unida».

Numa segunda fase do seu discurso, o Presidente da República francês abordou as manifestações antirracistas, pediu a união nacional, excluiu uma «reescrita da História» e considerou que a França é "uma nação onde todos devem encontrar o seu lugar». «Esta nobre luta é equivocada quando se transforma por meio do comunitarismo», adiantou.

No seguimento das manifestações que abordam o tema das violências policiais, Emmanuel Macron enalteceu o trabalho da polícia, que considera ser um dos «pilares da ordem republicana». Defendeu «não construir o futuro na desordem, sem uma ordem republicana, onde não há segurança nem liberdade», e considerou que esta ordem é garantida pela «polícia e os policiais do nosso território », expostos « a riscos diários em nosso nome».

Para a França pós-coronavírus, o chefe de Estado quer descentralizar o país e anunciou que «a organização do Estado e da nossa ação deve mudar profundamente». Macron considerou que «nem tudo pode ser decidido com tanta frequência em Paris: perante a epidemia, cidadãos, empresas, sindicatos, associações, comunidades locais, agentes estatais de todo o território» deram prova de «eficiência e solidariedade».

O Presidente francês lembrou que «enfrentamos desafios históricos», e prometeu «reinventar» a França de amanhã, anunciando uma nova alocução no mês de julho na qual vai apresentar planos concretos do novo caminho, garantindo querer «abrir uma nova página para o nosso país».

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