Macron quer discutir a Amazónia no G7. Bolsonaro acusa-o de "mentalidade colonialista"

O Presidente brasileiro rebateu o apelo de Emmanuel Macron para debater os incêndios da Amazónia na cimeira do G7, acusando-o de "mentalidade colonialista" e de querer alcançar "ganhos políticos pessoais".

"Lamento que o Presidente Macron procure instrumentalizar uma questão interna do Brasil e de outros países amazónicos para ganhos políticos pessoais. O tom sensacionalista com que se refere à Amazónia - apelando até com fotos falsas - não contribui em nada para a solução do problema", escreveu Bolsonaro na rede social Twitter.

"O Governo brasileiro segue aberto ao diálogo, com base em dados objetivos e no respeito mútuo. A sugestão do Presidente francês, de que assuntos amazónicos sejam discutidos no G7 sem a participação dos países da região, evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI", concluiu o chefe de Estado do país sul-americano.

Emmanuel Macron apelou na quinta-feira para que os incêndios na Amazónia sejam discutidos na cimeira do G7, que se realiza este fim de semana em Biarritz, sudoeste de França, afirmando que se trata de uma "crise internacional". Porém, as palavras não foram bem recebidas pelo governante brasileiro.

"A nossa casa está a arder. Literalmente. A floresta Amazónia, o pulmão que produz 20% do oxigénio do nosso planeta, está em chamas. É uma crise internacional. Membros da cimeira do G7, vamos discutir esta emergência de primeira ordem em dois dias", pediu o chefe de Estado francês também na rede social Twitter.

Na cimeira do G7, dos países mais industrializados do mundo, participam os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos da América, França, Itália, Japão e Reino Unido.

Em junho passado, na cimeira do G20, em Osaka, no Japão, os dois chefes de Estado já tinham debatido assuntos climáticos, com Macron a declarar, na ocasião, que não assinaria acordos comerciais se o Brasil deixasse o Acordo de Paris para o clima.

Também o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, se mostrou "profundamente preocupado", na quinta-feira, com os incêndios numa das "mais importantes fontes de oxigénio e biodiversidade", referindo que a Amazónia "deve ser protegida".

O número de incêndios no Brasil aumentou 83% este ano, em comparação com o período homólogo de 2018, com 72.953 focos registados até 19 de agosto, sendo a Amazónia a região mais afetada, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) brasileiro.

Numa transmissão em direto na sua página do Facebook, Bolsonaro anunciou que o Presidente chileno, Sebastián Piñera, ofereceu "dois ou três aviões" para ajudar no combate aos fogos na região.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta.

Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

Ainda segundo o INPE, a desflorestação da Amazónia aumentou 278% em julho, em relação ao mesmo mês de 2018.

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