Maior partido da oposição em São Tomé anuncia queixa contra primeiro-ministro por apelo ao voto

O líder da oposição, Américo Ramos, diz que o primeiro-ministro de São Tomé mostrou "o seu caráter desonesto, desrespeitando a lei" porque "no momento de votação, tem o descaramento de fazer campanha publicamente falando dos seus feitos dos últimos quatro anos".

A Ação Democrática Independente (ADI, oposição), candidata às eleições legislativas são-tomenses, anunciou que vai apresentar uma queixa junto da Comissão Eleitoral Nacional (CEN) contra o primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, que hoje pediu "mais um voto de confiança".

"Mais uma vez o senhor Jorge Bom Jesus veio mostrar o seu caráter desonesto, desrespeitando a lei, porque, no momento de votação, tem o descaramento de fazer campanha publicamente falando dos seus feitos dos últimos quatro anos", disse este domingo à Lusa o secretário-geral da ADI, Américo Ramos.

Apesar de a lei eleitoral são-tomense proibir o apelo ao voto no dia das eleições, Jorge Bom Jesus, que concorre à reeleição enquanto cabeça de lista do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MLSTP/PSD), disse que "confia na maturidade política" dos eleitores e pediu "mais um voto de confiança" à população "que avaliou, acompanhou [e] foi monitorizando todo o trabalho que o Governo realizou durante estes quatro anos, numa conjuntura bastante difícil".

"Precisamos de estabilidade e de continuidade e é isso que nós estamos a pedir à população, que confie em nós para nos dar mais um voto de confiança para que os projetos iniciados possam ter continuidade e é esse trabalho que estamos a fazer e estamos confiantes", disse o chefe do executivo.

"Acho que é desonestidade. Nós tivemos 15 dias de campanha. Ontem [sábado] foi um momento de reflexão, hoje é o momento para votação. Não há necessidade de fazer todos esses considerando à volta dos quatro anos da sua governação e pedir mais quatro. Vem demonstrar, mais uma vez, o caráter descarado, vergonhoso, triste do senhor Jorge Bom Jesus", afirmou Américo Ramos, que anunciou a intenção de apresentar uma queixa.

"Há sinais claros da nova maioria que mostram uma violação grosseira daquilo que é a lei eleitoral e nós vamos fazer [uma queixa]", salientou.

O atual executivo é suportado no parlamento pela chamada 'nova maioria', uma coligação entre o MLSTP/PSD e o bloco PCD/UDD/MDFM.

Contactada pela Lusa, fonte da CEN disse desconhecer as declarações do primeiro-ministro, mas remeteu para mais tarde uma eventual reação.

Os cerca de 123 mil eleitores de São Tomé e Príncipe são chamados hoje a votar nas eleições legislativas, autárquicas e regional, com os votantes na diáspora a eleger, pela primeira vez, dois deputados pela Europa e África.

As urnas abriram às 07:00 e encerram às 17:00 locais (mais uma hora em Lisboa). Nas duas ilhas que compõem o país, haverá um total de 309 mesas de voto para os 123.301 eleitores.

No total, 11 partidos e movimentos, incluindo uma coligação, concorrem hoje aos 55 lugares da Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe.

Pela primeira vez, 14.692 cidadãos residentes em 10 países da Europa e África elegem um deputado por cada círculo. Os restantes 53 deputados são escolhidos pelos seis distritos da ilha de São Tomé e pela região do Príncipe.

Os eleitores são-tomenses têm igualmente de escolher os próximos presidentes das autarquias e o Governo Regional do Príncipe também vai a votos.

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