Mais de 104 mil crianças mortas ou mutiladas em guerras entre 2015 e 2020

Estas agressões ocorreram em países em situações de conflito armado prolongado. Afeganistão, Israel e Palestina, Síria, Iémen e Somália são os países em que se verificam percentagens mais altas destas agressões.

Os conflitos armados em África, Ásia, no Médio Oriente e na América Latina mataram ou mutilaram mais de 104 mil crianças, entre 2005 e 2020, indicou esta terça-feira o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Num relatório divulgado hoje, a UNICEF revela que naquele período de 15 anos foram cometidas mais de 266 mil "violações graves" contra os direitos humanos das crianças em mais de 30 situações de conflito, em partes distintas do mundo.

No mesmo período, registaram-se também mais de 25.700 raptos de menores, 14.200 agressões sexuais e casamentos forçados, 93 mil casos de recrutamento de crianças para grupos de combate e 13.900 ataques a hospitais e escolas, embora os números possam ser "provavelmente mais elevados", adianta a agência da ONU.

Explica que concretizar um registo exato dos ataques à integridade das crianças é ainda uma tarefa difícil, devido às dificuldades de acesso às zonas de conflito e ao medo que as famílias e os próprios menores têm de fazer a denúncia.

"Este relatório expõe da forma mais clara possível o fracasso do mundo em proteger os seus filhos em tempos de conflito armado. Devemos recusar-nos a tolerar as violações contra crianças como um resultado inevitável da guerra", disse a diretora executiva da UNICEF, Catherine Russell.

Segundo o documento, o número de violações verificadas tem vindo a aumentar desde 2005, tendo ultrapassado a marca das 20 mil pela primeira vez em 2014 e atingido um novo pico em 2020, com 26.425 agressões registadas.

Entre 2016 e 2020, foram identificadas em média 71 violações infantis por dia e, em alguns destes casos, as crianças foram sujeitas a agressões múltiplas, envolvendo rapto e violência sexual.

De acordo com a UNICEF, a maioria destas agressões ocorreram em países em situações de conflito armado prolongado, como o Afeganistão (30% dos ataques contra crianças), Israel e Palestina (14%), Síria (13%), Iémen (13%) e Somália (9%).

Os atentados aos direitos das crianças são geralmente cometidos por todas as partes envolvidas no conflito, sejam forças estatais ou grupos armados irregulares, apesar de o relatório indicar que, entre 2016 e 2020, os atores não estatais foram responsáveis por cerca de 58% de todas as violações contra menores.

Os dados da UNICEF indicam ainda que os rapazes são os mais afetados pelas guerras (representam 73% das vítimas), porque são os principais alvos de recrutamentos forçados, bem como de raptos e assassinatos.

No caso das raparigas, a violência sexual é a agressão predominante.

A UNICEF alertou ainda para o perigo da utilização de armas de longo alcance em áreas povoadas, responsáveis por 47% de todas as vítimas infantis em 2020, quando foram registados mais de 3.900 menores mortos e mutilados.

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