Mais de 25.300 etíopes fogem do conflito em Tigray para o Sudão

Só no domingo mais de 5.000 pessoas atravessaram a fronteira.

O conflito na região de Tigray, norte da Etiópia, levou mais de 25.300 pessoas a fugirem para o Sudão, anunciou esta segunda-feira o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Segundo o ACNUR, só no domingo mais de 5.000 pessoas atravessaram a fronteira, o dia em que se registou o maior número de refugiados a chegar às províncias fronteiriças sudanesas de Kassala e Al-Qadarif, desde o princípio do conflito, no início do mês.

O anúncio surge no mesmo dia em que o Governo etíope, liderado pelo Nobel da Paz de 2019, Abiy Ahmed, voltou a recusar os apelos internacionais para o diálogo.

"A mediação nesta altura vai apenas incentivar a impunidade", disse o ministro de Estado para os Negócios Estrangeiros da Etiópia e porta-voz do grupo de trabalho constituído para o estado de emergência em Tigray, Redwan Hussein, citado pela agência noticiosa Associated Press.

O Governo de Abiy Ahmed diz estar disposto a "acolher e reintegrar" os refugiados.

O ACNUR afirma estar a trabalhar com as autoridades sudanesas para "mobilizar recursos para fornecer serviços de assistência" aos refugiados que vão chegando ao Sudão.

O alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi, apelou, também hoje, para um apoio da comunidade internacional ao Governo sudanês para o apoio aos refugiados.

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, lançou em 04 de novembro uma operação militar na região de Tigray, após meses de tensão crescente com as autoridades regionais da Frente Popular de Libertação do Tigray (TPLF, na sigla em inglês).

As autoridades do Tigray dispararam no sábado foguetes contra a capital fronteiriça da Eritreia, que acusam de estar a ajudar o exército federal etíope na sua ofensiva, uma escalada que poderá agravar e internacionalizar o conflito.

Abiy Ahmed recebeu o Prémio Nobel da Paz em 2019 pelos seus esforços em prol da paz e da cooperação internacional, bem como pela sua iniciativa e empenho na resolução do conflito fronteiriço entre a Etiópia e a Eritreia.

O Comité Nobel norueguês, que atribuiu o Prémio Nobel da Paz ao primeiro-ministro etíope, disse hoje estar "profundamente preocupado" com o conflito em curso naquele país africano e apelou para o fim da violência.

"O comité está a acompanhar de perto os desenvolvimentos na Etiópia e está profundamente preocupado", disse o seu secretário, Olav Njølstad, numa declaração citada pela agência France Presse.

"Repetimos hoje o que dissemos anteriormente, nomeadamente que todas as partes envolvidas partilham a responsabilidade de parar a escalada de violência e de ajudar a resolver disputas e conflitos por meios pacíficos", acrescentou.

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