Mais de 270 migrantes enviados para centros de detenção na Líbia

Migrantes foram resgatados em águas internacionais pelo navio "Vos Triton", com pavilhão de Gibraltar.

Mais de 270 migrantes foram resgatados por um navio comercial na costa da Líbia e entregues à guarda costeira daquele país, que posteriormente os enviou para centros de detenção, segundo agências da ONU.

Os migrantes foram resgatados em águas internacionais na segunda-feira pelo navio "Vos Triton", com pavilhão de Gibraltar, disse a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) num comunicado conjunto divulgado na noite de quarta-feira.

No dia seguinte, os migrantes foram levados pela guarda costeira da Líbia ao porto de Trípoli, onde foram detidos pelas autoridades líbias, acrescentou o comunicado.

"As duas organizações reiteram que ninguém deve ser devolvido à Líbia depois de ser resgatado no mar. De acordo com o direito marítimo internacional, os indivíduos resgatados devem ser desembarcados num local seguro", disseram as agências, acrescentando que a Líbia não pode ser considerada "um lugar seguro".

Por quase uma década, a Líbia - devastada pela guerra desde 2011 - tem sido o ponto de trânsito dominante para migrantes que fogem da guerra e da pobreza em África e no Médio Oriente e que aspiram viver na Europa.

Os traficantes costumam amontoar famílias desesperadas em embarcações de borracha mal equipadas que param ou naufragam ao longo da perigosa rota central no Mar Mediterrâneo.

Nos últimos anos, a União Europeia (UE) fez parceria com a guarda costeira da Líbia e outros grupos locais para impedir essas travessias marítimas perigosas.

Os grupos de direitos humanos, no entanto, dizem que essas políticas deixam os migrantes à mercê do mar ou de grupos armados da Líbia e muitos acabam confinados em centros de detenção repletos de abusos.

Neste ano, mais de 13 mil migrantes foram devolvidos aos centros de detenção da Líbia e centenas morreram no mar, disseram as duas agências.

"A OIM e o ACNUR pedem o fim da detenção arbitrária na Líbia por meio do estabelecimento de um processo de revisão judicial e defendem alternativas à detenção, começando com a libertação imediata dos mais vulneráveis", referiu o comunicado.

As agências da ONU instaram aos governos a conceder aos navios mercantes que resgatam pessoas em perigo "permissão rápida" para desembarque em portos seguros.

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