Mais de 3.700 pessoas em quarentena a bordo de navio de cruzeiro no Japão

Oito pessoas a bordo do navio 'Diamond Princess' apresentam sintomas compatíveis com o contágio por coronavírus.

Mais de 3.700 pessoas estão em quarentena a bordo de um navio de cruzeiro perto de Tóquio, após um caso comprovado do novo coronavírus num dos passageiros que desembarcou em Hong Kong, disseram esta terça-feira as autoridades japonesas.

Oito pessoas a bordo do navio 'Diamond Princess', que chegou à baía de Yokohama na noite de segunda-feira, estão a apresentar sintomas como febre, disse o porta-voz do Governo, Yoshihide Suga.

Os especialistas em quarentenas subiram a bordo do navio hoje para realizar testes em 2.666 passageiros e 1.045 tripulantes.

Os testes foram realizados em pessoas com sintomas do novo coronavírus, mas também de outras doenças infecciosas, como malária ou dengue, disse à AFP uma autoridade do Ministério da Saúde do Japão.

Essas medidas foram tomadas após o teste positivo para o coronavírus num passageiro de 80 anos que desembarcou em Hong Kong, a 25 de janeiro.

"[O homem] não foi ao centro médico do navio enquanto viajava connosco", disse a operadora de cruzeiros Carnival Japan (grupo norte-americano Carnival Corp).

"De acordo com o hospital em que está internado, a sua condição é estável e nenhuma infeção foi detetada entre os membros da sua família, que viajavam com ele", acrescentou a empresa, segundo a qual a partida do barco deve ser adiada pelo menos 24 horas.

A Diamond Princess já havia estado em quarentena no sábado passado em Naha, na ilha de Okinawa, no sul do Japão. Mas uma segunda quarentena foi realizada após a descoberta do coronavírus no octogenário que desembarcou em Hong Kong.

O ministro da Saúde, Katsunobu Kato, disse ao parlamento que os testes de coronavírus seriam aplicados a três grupos de pessoas a bordo: pessoas com sintomas, pessoas que desembarcaram em Hong Kong e pessoas que tiveram contacto próximo com o passageiro infetado.

Até que os resultados sejam obtidos, "todos a bordo (...) lá permanecerão", disse Kato.

O Japão apresentou 20 casos de pessoas infetadas em seu território, incluindo quatro sem sintomas, de acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde divulgados na segunda-feira.

Desde sábado, o país recusou a entrada no território a estrangeiros que recentemente estiveram na província chinesa de Hubei, o epicentro da epidemia, no centro da China. Onze estrangeiros foram impedidos de entrar até ao momento.

Até agora, o Japão fretou três aviões para repatriar 565 dos seus nacionais de Wuhan, capital de Hubei.

A companhia aérea japonesa All Nippon Airways (ANA) anunciou hoje que estenderá a suspensão da sua linha Tóquio-Wuhan por mais um mês, até 28 de março. Ao mesmo tempo, também reduziu o número de voos para Pequim a partir de dois aeroportos internacionais em Tóquio.

A China elevou hoje para 426 mortos e mais de 20.400 infetados o balanço do surto de pneumonia provocado por um novo coronavírus (2019-nCoV) detetado em dezembro passado, em Wuhan, capital da província de Hubei (centro), colocada sob quarentena.

Além do território continental da China e das regiões chinesas de Macau e Hong Kong, há mais casos de infeção confirmados em mais de 20 países.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou na quinta-feira uma situação de emergência de saúde pública de âmbito internacional, o que pressupõe a adoção de medidas de prevenção e coordenação à escala mundial.

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