"Mais de dois mil bilionários têm mais dinheiro do que 60% do mundo"

Relatório da Oxfam Internacional alerta para as desigualdades de riqueza entre géneros e a falta de condições das mulheres que trabalham como prestadoras de cuidados.

A desigualdade de riqueza global está a aumentar. A maior parte do dinheiro está nas mãos de poucos homens, sendo que as mulheres trabalham cada vez mais sem serem pagas. As conclusões são do relatório "Time To Care" publicado esta segunda-feira pela Oxfam Internacional, um dia antes do início do Fórum Económico Mundial que se realiza entre os dias 21 e 24 de janeiro, em Davos, na Suíça.

De acordo com a Oxfam Internacional, o número de bilionários aumentou na última década. Existem 2.153 bilionários que têm mais dinheiro do que 4,6 biliões de pessoas (60% do mundo). Além disso, os 22 homens mais ricos têm uma fortuna maior do que todas as mulheres de África. O relatório indica também que 1% das pessoas mais ricas possuem duas vezes mais património do que 6,9 biliões de pessoas.

"As economias sexistas aumentam a crise de desigualdade", refere a Oxfam Internacional em comunicado. Mulheres e raparigas trabalham em média 12,5 biliões de horas não pagas, o que para a economia global representa 10,8 triliões de dólares por ano.

Em contraste com apenas 6% dos homens, 42% das mulheres em idade de trabalho não conseguem arranjar emprego porque são prestadoras de cuidados, passando a maior parte do tempo a cozinhar, a limpar e a cuidar de crianças ou idosos.

O relatório refere que os homens ganham mais 50% do que as mulheres. No que toca a cargos de tomada de decisão, as mulheres são também excluídas. Apenas 18% têm cargos ligados ao governo e 24% realizam funções relacionadas com o parlamento.

A Oxfam Internacional refere que os governos não conseguem receitas para ajudar combater a desigualdade, subfinanciando serviços públicos vitais e infraestruturas e alerta para a importância de intervirem e implementarem medidas que melhorem as condições de vida e de trabalho das mulheres. "Investimentos em água e saneamento, eletricidade e saúde podem melhorar a qualidade de vida das mulheres".

"Por exemplo, oacesso a melhores fontes de água pode economizar às mulheres do Zimbabué até quatro horas de trabalho por dia, ou dois meses por ano", acrescenta a confederação internacional em comunicado.

A Oxfam Internacional deixa ainda algumas recomendações para que a lacuna entre os trabalhadores não remunerados, mal remunerados e a elite rica seja fechada.

Investir em sistemas nacionais de atendimento; acabar com a extrema riqueza e com a extrema pobreza; legislar e proteger os direitos de todos os prestadores de cuidados; garantir que os cuidadores remunerados tenham um salário digno e influência nos processos de tomada de decisão; desafiar normas prejudiciais e crenças sexistas e valorizar o trabalho de assistência em políticas e práticas de negócios são algumas das prioridades que devem ser tidas em conta.

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